Porta-aviões Gerald Ford registra falhas e preocupa autoridades militares dos EUA
Apesar do alto investimento, o navio ainda apresenta falhas relevantes, o que levanta dúvidas sobre sua eficácia em cenários de combate real
247 - O USS Gerald R. Ford, considerado o navio de guerra mais caro já construído pelos Estados Unidos, enfrenta uma série de problemas técnicos e operacionais que vão além do incêndio registrado recentemente a bordo. A embarcação foi enviada ao Oriente Médio pelo presidente Donald Trump, em meio à escalada de tensões com o Irã. As informações são da agência Bloomberg.
Com custo estimado em US$ 13,2 bilhões (cerca de R$ 69,5 bilhões), o porta-aviões foi entregue em maio de 2017 após anos de atraso. Apesar do alto investimento, o navio ainda apresenta falhas relevantes, inclusive em sistemas essenciais para operações militares, o que levanta dúvidas sobre sua eficácia em cenários de combate real.
De acordo com uma avaliação recente do escritório de testes do Pentágono, persistem lacunas importantes na análise da “adequação operacional” do Ford. Entre os pontos críticos estão a confiabilidade de sistemas-chave, como o mecanismo de lançamento e recuperação de aeronaves, o radar e os elevadores responsáveis pelo transporte de armamentos do hangar ao convés.
O relatório destaca que, mesmo nove anos após a entrega, ainda não há dados suficientes para determinar a eficácia operacional da classe Ford. A ausência de testes completos em condições realistas de combate impede uma avaliação precisa sobre a capacidade do navio de detectar, rastrear e interceptar ameaças, como mísseis antinavio e aeronaves inimigas.
Também permanecem dúvidas sobre o desempenho do porta-aviões sob pressão de guerra, especialmente em situações de operações contínuas de decolagem e pouso. Segundo o Pentágono, não está claro como os sistemas reagiriam em um ambiente de combate intenso.
Em resposta, autoridades da Marinha dos Estados Unidos afirmaram que estão trabalhando em conjunto com o órgão de testes para aprimorar o entendimento sobre a eficácia e a sustentabilidade do navio. Segundo a corporação, as avaliações consideram tanto os testes quanto o desempenho em operações reais, e indicam que o Ford tem atendido às demandas operacionais, ainda que melhorias estejam em andamento.
O incêndio ocorrido recentemente a bordo forçou a retirada do porta-aviões do Mar Vermelho, onde atuava em operações relacionadas ao Irã. A embarcação seguiu para a ilha de Creta após o incidente, que deixou mais de 200 marinheiros necessitando de atendimento por inalação de fumaça, conforme relatado pelo senador Tim Kaine em carta ao secretário da Marinha, John Phelan.
O episódio expôs a pressão sobre os ativos militares dos EUA em um contexto de atuação internacional ampliada. A estratégia do governo Trump tem sido descrita como uma forma de “diplomacia de canhoneiras”, com o envio de forças navais para regiões sensíveis como forma de pressão geopolítica, incluindo operações anteriores envolvendo a Venezuela.
Outro fator de preocupação é a duração da missão do Ford. Enquanto deslocamentos desse tipo costumam durar cerca de sete meses, o navio já permanece no mar há aproximadamente nove meses, desde junho do ano passado. Segundo Kaine, a extensão da missão levou tripulantes a improvisarem diante de equipamentos com falhas e limitações nos sistemas de suporte.
Problemas identificados anteriormente também seguem sem solução. Embora testes realizados em 2022 tenham avaliado a capacidade de defesa contra drones e embarcações rápidas, muitas das melhorias propostas ainda não receberam financiamento suficiente para implementação.
Além das questões técnicas, o relatório aponta limitações estruturais, como a falta de leitos adequados para acomodar toda a tripulação e equipes adicionais em cenários de combate. A deficiência pode se agravar com a incorporação de novos caças, como o F-35 Lightning II, ou drones de reabastecimento, como o Boeing MQ-25 Stingray.
Segundo o escritório de testes, essas limitações impactam diretamente a qualidade de vida a bordo. A Marinha reconhece os desafios e afirma que continuará promovendo melhorias conforme avançam os testes e as operações, destacando que dificuldades são esperadas em sistemas de alta complexidade como o do Ford.