Presidente da Interpol é investigado por tortura
Promotores franceses investigarão o general dos Emirados Ahmed Nasser Al-Raisi, segundo a AFP
RT - Promotores antiterroristas franceses abriram um inquérito preliminar sobre Ahmed Naser Al-Raisi, presidente da Interpol e inspetor-geral do Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos (EAU), por alegações de suspeita de tortura, informou a AFP nesta quinta-feira citando autoridades judiciais não identificadas.
Em janeiro, o Centro de Direitos Humanos do Golfo (GCHR), uma ONG sediada no Líbano, apresentou uma queixa contra Al-Raisi por suas ações enquanto servia no Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos. A organização o acusou de maltratar a figura da oposição dos Emirados, Ahmed Mansoor Al Shehhi.
“A poderosa agência de segurança estatal dos Emirados Árabes Unidos violou os direitos de Mansoor por mais de 10 anos com prisões e detenções arbitrárias, ameaças de morte, agressão física, vigilância do governo e tratamento desumano sob custódia”, relata a organização de direitos humanos. “Desde que o detiveram em março de 2017, as autoridades dos Emirados Árabes Unidos mantiveram Mansoor praticamente incomunicável, isolaram-no de outros prisioneiros e negaram-lhe uma cama e colchão.”
O GCHR acredita que, ao manter Mansoor em isolamento por quase quatro anos, Abu Dhabi violou a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Punições Cruéis, Desumanos ou Degradantes.
Em novembro de 2021, o representante dos Emirados Árabes Unidos foi eleito presidente da Interpol, apesar de uma grande reação de políticos e ativistas. Uma carta aberta contra a candidatura de Ahmed Naser Al-Raisi assinada por oito organizações de direitos humanos não surtiu efeito. No ano passado, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos refutou as alegações sobre o bem-estar de Mansoor como “inverídicas”.