Presidentes das Coreias do Norte e do Sul iniciam histórica reunião de cúpula

Encontro é o primeiro do tipo em mais de dez anos. Ocorre depois de um ano de tensões na Península Coreana, com os sucessivos testes de mísseis balísticos por Pyongyang e das declarações do presidente dos EUA, Donald Trump de que poderia "destruir" a Coreia do Norte.

Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un 27/04/2018 Korea Summit Press Pool/Pool via Reuters
Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un 27/04/2018 Korea Summit Press Pool/Pool via Reuters (Foto: Reinaldo)

247, com KCNA - Os líderes das duas Coréias iniciaram nesta sexta-feira (27) um encontro histórico na Linha de Demarcação Militar na Aldeia da Paz de Panmunjom. É a primeira cúpula intercoreana em mais de dez anos.

O líder da República Popular Democrática da Coreia (RPDC), Kim Jong Un, e o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, reuniram-se em frente às salas de reuniões da Comissão do Armistício por volta das 09h30, hora local.

Os dois líderes compartilharam uma breve conversa.

Kim Jong Un então cruzou a pé para o lado sul. É a primeira vez que um líder norte-coreano põe os pés no território sul-coreano desde o fim da Guerra da Coréia (1953).

"Kim Jong Un discutirá abertamente com Moon Jae sobre todas as questões que surgirem para a melhoria das relações intercoreanas e a conquista da paz, prosperidade e reunificação da Península Coreana", informou a Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA, na sigla em inglês).

Depois da cerimônia de boas-vindas, os dois líderes realizaram uma reunião de cúpula.

Está prevista a assinatura de um acordo entre os dois países.

A delegação da RPDC é composta também pelo presidente da Assembleia Popular (parlamento) da Coreia do Norte, Kim Yong Nam, o ministro das Relações Exteriores, Ri Yong Ho, e o presidente do Comitê para a Reunificação Pacífica do País, Ri Son Gwon.

A cúpula desta sexta-feira foi a primeira reunião entre os líderes das duas Coreias em mais de uma década e a terceira na história. Em 2000, o líder da RPDC, Kim Jong Il, reuniu-se com o presidente da Coreia do Sul, Dae-jung, e em 2007 com Roh Moo-hyun.

O encontro desta sexta-feira ocorre depois de um ano de tensões na Península Coreana, com os sucessivos testes de mísseis balísticos por Pyongyang.

As declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, também constituíram um fator de risco de conflito na Península, ao afirmar que a Coreia do Norte poderia esperar "fogo e fúria" se continuasse suas provas nucleares e que os EUA "destruiriam totalmente" a Coréia do Norte se ameaçasse Washington ou seus aliados.

Mas o Ano Novo viu a tensão esfriar. Kim Jong Un anunciou em sua mensagem de Ano Novo a intenção de enviar atletas da RPDC aos Jogos Olímpicos de PyeongChang, na Coreia do Sul, o que acabou acontecendo e se tornando um passo para a preparação do encontro desta sexta-feira entre os dois presidentes.

Foi o discurso de Ano Novo de Kim que abriu caminho às conversações de alto nível entre as duas Coréias e à reabertura de canais de comunicação entre Pyongyang e Seul.

Nos meses seguintes, duas delegações norte-coreanas de alto nível visitaram a Coreia do Sul. Numa dessas visitas, foi anunciada a realização da reunião entre os dois líderes.

Em março, Kim Jong Un expressou sua disposição de desnuclearizar o país em troca de garantias de segurança.

Enquanto isso, anunciou-se também o convite do líder norte-coreano para uma reunião de cúpula com o presidente dos EUA, Donald Trump, que se realizará nas próximas semanas em local ainda a ser definido.

Na véspera da cúpula com Kim Jong Un, a Coreia do Sul, cortou as verbas públicas destinadas a programas publicitários de provocações contra a Coreia do Norte.

Além da questão nuclear, espera-se que as duas Coréias discutam outras questões de interesse mútuo, incluindo meios para reduzir as tensões militares e os assuntos humanitários.

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