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Primeira rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos termina na Suíça em meio a tensões no Oriente Médio

Encontro em Bürgenstock avança para novas etapas sobre Líbano, Estreito de Ormuz, programa nuclear iraniano e sanções, enquanto líderes trocam farpas

Primeira rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos termina na Suíça em meio a tensões no Oriente Médio (Foto: Reprodução/Al Jazeera )
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247 - As primeiras negociações diretas entre representantes do Irã e dos Estados Unidos foram concluídas neste domingo (21), na cidade de Bürgenstock, na Suíça, em um momento de elevada tensão no Oriente Médio. Segundo informações da Al Jazeera, o encontro faz parte de uma série de discussões voltadas para temas centrais da crise regional, incluindo a situação no Líbano, a segurança do Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e as sanções impostas a Teerã.

De acordo com a agência iraniana Fars, a primeira rodada de conversas durou cerca de 80 minutos e foi interrompida para consultas internas entre as delegações. Apesar das divergências públicas entre as partes, fontes ouvidas durante o encontro indicaram que as discussões ocorreram em um ambiente considerado construtivo.

As negociações acontecem em um contexto marcado por confrontos indiretos entre Irã, Israel e grupos aliados de Teerã na região. O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, que participa das reuniões na Suíça, afirmou que houve “grande progresso” nos últimos dias para garantir a manutenção do cessar-fogo no Líbano.

Irã rejeita ameaças dos Estados Unidos

Durante o encontro, o presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã nas conversas, Mohammad Bagher Ghalibaf, descartou o impacto das ameaças americanas e afirmou que o país está preparado para reagir caso seja necessário.

“Não pensam consigo mesmos que, se suas ameaças tivessem algum efeito, não teriam chegado ao ponto de desespero em que estão hoje? Nós não contamos com as ameaças americanas”, escreveu Ghalibaf na rede social X.

O dirigente iraniano também fez um alerta direto a Washington: “É melhor terem cuidado com seus comentários; nossas forças armadas estão prontas para responder de uma forma diferente. Seja o que for que digam, somos nós que agiremos”.

Estreito de Ormuz entra no centro das discussões

Outro tema central das negociações é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo.

Mohammad Mokhbar, assessor e auxiliar do líder supremo iraniano, declarou à agência Fars que Teerã pretende buscar mudanças em algumas das regras que regulam a passagem pelo estreito.

“Em qualquer caso, utilizará todas as suas capacidades legais para proteger os interesses nacionais”, afirmou.

As declarações surgem após o comando militar conjunto iraniano anunciar, no sábado, o fechamento do estreito em resposta à continuidade das operações militares israelenses contra o Hezbollah no Líbano. Os Estados Unidos contestaram a informação.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou que 67 embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, volume semelhante ao registrado antes do agravamento da crise. Segundo ele, o governo americano abriu uma rota alternativa ao sul e tem escoltado navios pela região.

Wright também reconheceu que parte das empresas de navegação continua demonstrando preocupação com a segurança da área.

Hezbollah endurece discurso sobre cessar-fogo

No Líbano, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o grupo responderá a qualquer violação do cessar-fogo por parte de Israel.

As declarações ocorreram após autoridades israelenses afirmarem que suas tropas mantêm liberdade de ação para eliminar ameaças em território libanês, apesar do acordo de cessar-fogo que entrou em vigor recentemente.

Qassem também declarou que Israel não permanecerá no Líbano, reforçando a posição do grupo diante da atual conjuntura regional.

Hezbollah critica negociações entre governo libanês e Washington

Em outra frente, o Hezbollah condenou as conversas diretas entre o governo libanês e os Estados Unidos. Em comunicado, o grupo afirmou que as negociações comprometem a soberania do país e favorecem interesses israelenses.

Segundo a organização, os representantes libaneses estariam sendo pressionados a aceitar imposições de Washington que, na visão do Hezbollah, resultariam na perda de autonomia política do Líbano e no alinhamento do país a governos que mantêm relações com Israel.

O grupo classificou a iniciativa como baseada em uma premissa “falha” e argumentou que ela levaria à “capitulação”, em vez de atender aos interesses nacionais libaneses.

Delegação iraniana evita gesto simbólico com representantes dos EUA

Antes do início das negociações, a delegação iraniana recusou participar de um aperto de mãos e de uma fotografia conjunta com os representantes americanos.

Segundo a agência semioficial Tasnim, a organização do encontro havia preparado uma sessão de fotos e um cumprimento formal entre os dois lados. No entanto, o chefe da delegação iraniana rejeitou a proposta.

Após a recusa, a transmissão televisiva e o registro fotográfico foram realizados sem a presença dos representantes de Teerã. Os negociadores iranianos ingressaram na sala somente após a saída da imprensa.

Próximas etapas incluem programa nuclear e sanções

As negociações foram estruturadas em várias sessões temáticas. Segundo informações obtidas no local, a primeira rodada concentrou-se na situação do Líbano. Na sequência, os debates passaram a abordar o Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano e o regime de sanções aplicado ao país.

Apesar das declarações contundentes trocadas publicamente pelas partes nas últimas horas, fontes ligadas às conversas indicaram que os trabalhos continuam e devem prosseguir ao longo do dia, com todas as delegações permanecendo reunidas em Bürgenstock.