Putin convida premiê do Japão a assinar acordo de paz ainda em 2018
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se voltou ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, no palco de uma conferência nesta quarta-feira (12) e propôs a assinatura de um tratado de paz até o final deste ano para encerrar formalmente as hostilidades da Segunda Guerra Mundial entre os dois países
247, com Reuters - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se voltou ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, no palco de uma conferência nesta quarta-feira (12) e propôs a assinatura de um tratado de paz até o final deste ano para encerrar formalmente as hostilidades da Segunda Guerra Mundial entre os dois países.
Mas pouco depois de Putin fazer a proposta, um porta-voz do governo japonês em Tóquio disse que o Japão quer a devolução de ilhas do Pacífico capturadas por tropas russas nos últimos dias da guerra antes de assinar um tratado de paz.
Rússia e Japão disputam as ilhas há décadas, e por isso ainda não encerraram formalmente as hostilidades da Segunda Guerra Mundial. O impasse vem impedindo a criação de laços econômicos entre os dois países quase vizinhos.
"Uma ideia acabou de passar pela minha cabeça", disse Putin a Abe durante uma sessão de perguntas e respostas em um fórum econômico na cidade russa de Vladivostok.
"Vamos concluir um tratado de paz antes do final deste ano, sem quaisquer precondições". Abe não respondeu.
Mais tarde, na mesma sessão, Putin disse sobre sua proposta: "Eu não estava brincando". Ele disse que sua ideia é que os dois lados assinem um tratado primeiro e depois acertem as questões que os dividem.
Tanto Moscou quanto Tóquio reivindicam a soberania das ilhas, conhecidas na Rússia como Ilhas Kurilas e no Japão como Territórios do Norte.
Em um boletim de rotina à imprensa emitido em Tóquio após a proposta de Putin, o secretário-chefe do gabinete japonês, Yoshihide Suga, disse: "Não quero comentar o que o presidente Putin disse... entretanto, nossa posição de que a questão dos Territórios do Norte seja resolvida antes de qualquer tratado de paz não mudou".
Abe e Putin dizem querer uma solução para a disputa. O líder japonês disse que um acordo destravaria o comércio e o investimento de empresas japonesas para a Rússia, que sofre um boicote de investimentos ocidentais por causa de sanções.
Mas para Putin, que tem prestígio interno por defender os interesses de seu país, ceder as ilhas poderia ter uma repercussão negativa em casa.