Putin: EUA aterrorizaram países e bloquearam Snowden na Rússia

"Snowden chegou a nosso território sem convite. Não veio conosco. Voava para outro país. Mas, tão logo souberam que estava no ar, nossos parceiros americanos bloquearam suas futuras escalas", disse. Presidente chamou ex-consultor da CIA de "presente de Natal" dos Estados Unidos

Putin: EUA aterrorizaram países e bloquearam Snowden na Rússia
Putin: EUA aterrorizaram países e bloquearam Snowden na Rússia

Opera Mundi - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou nesta segunda-feira (15/07) os Estados Unidos de “bloquearem” o ex-analista da CIA Edward Snowden, acusado de vazar informações sobre programas de espionagem norte-americanos, em território russo e “aterrorizarem” os governos de outros países, incitando-os a não conceder asilo político ao fugitivo, cujo destino final nunca teria sido a Rússia.

Snowden “chegou a nosso território sem convite. Não veio conosco. Voava para outro país. Mas, tão logo souberam que estava no ar, nossos parceiros americanos bloquearam suas futuras escalas”, disse Putin, em coletiva de imprensa. “Eles mesmos assustaram o restante dos países. Ninguém quer acolhê-lo. Assim, no final das contas, eles mesmos o bloquearam [Snowden] em nosso território”, completou.

O presidente russo comparou Snowden a um “presente de Natal” dos norte-americanos e reconheceu que, por enquanto, o caso “está no limite”. “Mas assim que surgir a possibilidade de ir a algum lugar, ele, subentende-se, o fará. Afinal de contas, ele quer ir para um lugar de residência permanente. Quer residir em outro país”, afirmou.

Putin lembrou ainda as condições que impôs a Snowden para que pudesse ficar no país, dizendo que “ele conhece bem a condição para a concessão de asilo político. A julgar por suas últimas declarações, parece que mudou de postura. A situação ainda não se esclareceu totalmente”.

Putin referiu-se, assim, à decisão de Snowden de solicitar asilo à Rússia até que possa viajar para a América Latina, divulgada na última sexta-feira (12) pelo Wikileaks. Em um primeiro momento, ele se recusou a ficar no país por causa da condição, estabelecida pelo governo russo, de que ele parasse suas atividades que tinham como objetivo “prejudicar nossos parceiros norte-americanos”.

Segundo o presidente, Snowden teria dito que queria continuar seu trabalho e “lutar pelos direitos humanos”. “Ele acredita que os EUA violaram leis do direito, inclusive internacional, interferem na vida privada e seu objetivo é lutar contra isso. Nós lhe dissemos: só se nós não estivermos envolvidos, aqui temos outras coisas contra as quais lutar”, disse o chefe do Kremlin.
Quando questionado sobre o destino de Snowden depois de deixar seu país, Putin afirmou não ter conhecimento de nada. “Como eu poderia saber? Essa é a sua vida, é o seu destino”, declarou.

Na semana passada, a Casa Branca acusou Moscou de fornecer “uma plataforma de propaganda” a Snowden, o que “contradiz declarações anteriores sobre a neutralidade do governo russo e sobre não terem controle sobre sua presença no aeroporto.

Dar-lhe essa plataforma “também é incompatível com as garantias russas que não querem que o senhor Snowden prejudique ainda mais os interesses americanos”, manifestou o porta-voz da administração de Obama.

Edward Snowden revelou à imprensa internacional os programas secretos de espionagem promovidos pela NSA (Agência de Segurança Nacional norte-americana, na sigla em inglês), o que afetou as relações de Washington com diversos países, entre eles o Brasil. Ele se encontra na zona de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, desde o dia 23 de junho e os EUA pressionam a Rússia e países latino-americanos, que ofereceram asilo a ele, a extraditarem o ex-consultor da CIA para que ele seja julgado nos Estados Unidos. Entre os países que já se ofereceram para receber Snowden estão Venezuela, Bolívia e Nicarágua.

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