HOME > Mundo

Quem é o Líder Supremo do Irã, Khamenei, e por que ele é um possível alvo?

Ofensiva atinge áreas ligadas a Khamenei em Teerã, agrava crise nuclear e levanta suspeitas de tentativa de enfraquecer liderança da República Islâmica

Khamenei advertiu que se os Estados Unidos rasgarem o acordo, “o Irã vai destruí-lo”, se referindo a uma ameaça feita pelo presidente norte-americano, Donald Trump, de abandonar o tratado, relatou a TV estatal iraniana (Foto: Leonardo Attuch)

247 - Os Estados Unidos e Israel lançaram uma nova rodada de ataques contra o Irã, ampliando a tensão no Oriente Médio e afetando diretamente as já frágeis negociações sobre o programa nuclear iraniano. As informações foram divulgadas pela Al Jazeera, que detalhou os alvos atingidos e as declarações de autoridades envolvidas no conflito

Entre os pontos bombardeados no sábado estavam áreas de Teerã associadas ao líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. A ofensiva reacendeu questionamentos sobre uma possível estratégia de atingir o núcleo do poder político e militar da República Islâmica

Alvos na capital e arredores

De acordo com a imprensa iraniana, os ataques ocorreram em diversas regiões do país, inclusive na capital. A agência semioficial Tasnim informou que sete mísseis atingiram uma área próxima ao palácio presidencial, situado em Shemiran, no norte de Teerã, além de pontos próximos ao complexo ligado a Khamenei

A Associated Press também relatou que explosões foram registradas nas proximidades dos escritórios do líder supremo na capital iraniana

Paradeiro incerto

O paradeiro de Khamenei não foi confirmado. A agência Reuters citou uma fonte segundo a qual o líder não estaria em Teerã e teria sido levado para um local considerado seguro

Quem é Khamenei

Aos 86 anos, Khamenei ocupa o posto de líder supremo desde 1989, quando sucedeu o aiatolá Ruhollah Khomeini, figura central da Revolução Iraniana de 1979 que depôs o xá Mohammad Reza Pahlavi. No cargo máximo da República Islâmica, ele exerce autoridade sobre o Executivo, o Judiciário, as Forças Armadas e os principais órgãos de segurança, além de atuar como guia espiritual do país

Durante seu período à frente do regime, manteve uma relação de confronto com o Ocidente, marcada por sanções econômicas severas e por sucessivas ondas de protestos internos motivadas por questões econômicas e de direitos humanos. Khamenei já classificou os Estados Unidos como o “inimigo número um” do Irã, colocando Israel logo em seguida

Dois pilares fundamentais de sua base de poder são a Guarda Revolucionária Islâmica e a força paramilitar Basij, que reúne centenas de milhares de voluntários e desempenha papel relevante na segurança interna

Khamenei sustenta que o programa nuclear iraniano tem fins exclusivamente civis e que o país jamais buscou desenvolver armas atômicas. Segundo a Al Jazeera, nem a inteligência norte-americana nem a agência nuclear da ONU encontraram evidências de que o Irã esteja produzindo uma bomba nuclear, embora Israel e integrantes do governo Trump tenham reiterado suspeitas nessa direção

Ameaças públicas

Autoridades de Washington e Tel Aviv já haviam feito declarações contundentes contra o líder iraniano. Em junho, após 12 dias de ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e a subsequente retaliação de Teerã, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que Khamenei “não pode continuar a existir”

“Um ditador como Khamenei, que está à frente de um Estado como o Irã e tem o objetivo terrível de destruir Israel, não pode continuar a existir”, declarou

No mesmo período, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, indicou que o país não havia descartado a hipótese de tentar assassinar o líder iraniano, afirmando que tal medida poderia “pôr fim” ao prolongado conflito entre Estados Unidos e Irã

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump também fez declarações consideradas ameaçadoras. Em entrevista à ABC News no início do mês, disse que o líder iraniano deveria estar “muito preocupado”, diante do reforço militar norte-americano na região

Em outras falas, Trump afirmou que a mudança de regime no Irã seria “a melhor coisa que poderia acontecer” e que “há pessoas” aptas a assumir o comando do país, sem detalhar nomes. Ao ordenar ataques contra o território iraniano no ano anterior, declarou ainda que Khamenei seria um “alvo fácil” caso Washington optasse por eliminá-lo

“Sabemos exatamente onde o chamado ‘Líder Supremo’ está escondido”, disse Trump. “Ele é um alvo fácil, mas está seguro lá – não vamos eliminá-lo (matá-lo!), pelo menos não por enquanto.”

Objetivo declarado

Após a nova ofensiva, Trump prometeu “aniquilar” a marinha e os locais de mísseis do Irã e conclamou os iranianos a derrubarem o próprio governo

“Quando terminarmos, assumam o governo. Ele será de vocês”, afirmou. “Esta será provavelmente a única chance de vocês por gerações.”

Para Ali Hashem, jornalista da Al Jazeera com ampla experiência na cobertura do Irã, há indícios claros de que o objetivo central das ações conjuntas seja atingir o topo da estrutura de poder iraniana

“Ainda é cedo para dizer se isso foi bem-sucedido ou não.”