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Não é só no Brasil que governos interferem em empresas, como a Vale; na França, também acontece

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Se é privado, não é público. Mas se tem capital público, não se pode tomar decisões privadas ? No ínicio do mês o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, foi bombardeado por ter participado das discussões em torno da mudança da presidência da Vale. Nada mais coerente, segundo ele. « Embora a Vale seja uma empresa privada, ela detém capital público e também é de grande importância na econômica do país, o que torna natural que o governo acompanhe mudanças em cargos-chave da empresa », afirmou Mantega. Quer dizer que o Estado tem o direito de fazer o que desejar para proteger seus interesses, em nome do bem dos brasileiros? Uma teoria um pouco totalitária demais para um País que tanto lutou por sua independência.

Mas a mania de interferir no conselho administrativo de companhias nacionais não é uma particularidade brasileira. Hoje o jornal Les Échos revelou um esquema da presidência de Nicolas Sarkozy de conduzir a escolha do novo número dois da Renault para diminuir o poder do chefão brasileiro Carlos Ghosn. Ele teria capital suficiente para excluir os demais acionistas de decisões importantes e estaria diluindo a partipação do Estado no capital da empresa – o governo possui 15% das ações do grupo. Um caso como esse choca menos os franceses do que os brasileiros.

Não é de hoje que Nicolas Sarkozy, ou Jacques Chirac ou mesmo François Mitterrand, usam seus poderes para mudar algo que os desagrade. Essa tradição faz parte da história da Vª República. O poder legislativo e o judiciário dependem claramente do poder executivo. E para encontrar um lugar ao sol nessa « democracia », o empresariado precisa se curvar a à prática. Quando se trata da mídia, Sarkozy é até considerado o Berlusconi à la française. Na França, os principais grupos que controlam os canais de comunicação são extremamente dependentes do mercado público e das relações com o Estado. Um dos melhores amigos do presidente e que diz considerá-lo como um « irmão » é simplesmente Arnaud Lagardère, que detém o controle dos jornais e revistas Paris Match, Elle, Journal du Dimanche, Télé7jours, France-Dimanche, Première, das rádios Europe n°1, Europe 2, RFM e dos canais de TV a cabo MCM, Canal J e Chaine Météo.

Quem não está de acordo com a manipulação do Estado se vê obrigado a sair ou a pagar o preço da revolta. Por enquanto o brasileiro Carlos Ghosn não pode ser tocado. Mas em poucos dias terá um espião do governo na sua cola, na mais perfeita legalidade. E assim caminha a politicagem, seja desse ou do outro lado do oceano Atlântico.

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