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Reino Unido barra uso de bases em plano dos EUA contra Irã

Decisão de Londres afeta Diego Garcia e Fairford e amplia tensão entre Donald Trump e Keir Starmer em meio à escalada militar no Oriente Médio

Trump e Starmer concedem entrevista coletiva no Reino Unido 18/09/2025 REUTERS/Kevin Lamarque (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

247 - O Reino Unido decidiu impedir que os Estados Unidos utilizem duas bases aéreas estratégicas em um eventual ataque ao Irã, medida que provocou críticas públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. A informação foi publicada nesta quinta-feira (19) pelo jornal The Times, que apontou preocupações legais e diplomáticas por parte de Londres.

De acordo com o diário britânico, o governo teme questionamentos internacionais caso Washington promova uma ofensiva sem respaldo do Conselho de Segurança da ONU, do qual ambos os países são membros permanentes. A decisão marca um contraste com 2003, quando britânicos e americanos atuaram juntos na invasão do Iraque sem mandato explícito das Nações Unidas.

As bases envolvidas são Diego Garcia, no arquipélago de Chagos, e RAF Fairford, na Inglaterra. Trump voltou a defender publicamente o uso de Diego Garcia na rede Truth Social, afirmando que, se o Irã não aceitar um acordo sobre seu programa nuclear, “pode precisar de Diego Garcia”. O presidente dos Estados Unidos também criticou a devolução do arquipélago às Ilhas Maurício, apesar de os direitos militares permanecerem sob controle britânico.

Apesar do veto, a mobilização militar americana segue em ritmo acelerado. Outras bases no Reino Unido, como RAF Lakenheath e RAF Mildenhall, continuam sendo utilizadas como pontos de trânsito para aeronaves deslocadas ao Oriente Médio. Nesta semana, Washington enviou mais de 120 aviões de combate e apoio à região, dobrando o contingente destinado a possíveis ataques.

No ano passado, Diego Garcia foi peça-chave na campanha de pressão contra Teerã antes do bombardeio de instalações nucleares iranianas. Parte dos bombardeiros B-2 operou a partir da base, embora missões também tenham sido realizadas diretamente dos Estados Unidos, com reabastecimento aéreo e escolta de caças de quinta geração, demonstrando capacidade operacional independente.

Analistas avaliam que, além da contenção do programa nuclear, está em jogo o enfraquecimento do regime iraniano, no poder desde 1979 e adversário declarado de Washington e de Israel. Uma ofensiva aérea poderia atingir a cúpula do governo e estruturas da Guarda Revolucionária, mas levanta dúvidas sobre o cenário interno posterior, incluindo risco de instabilidade ou disputa de poder.

O contexto também envolve possíveis retaliações e impactos globais. Israel já reforçou seu estado de alerta diante da ameaça de novos lançamentos de mísseis, enquanto países do Golfo acompanham com preocupação os reflexos sobre o mercado de petróleo, especialmente se houver interrupções no estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de um quinto da produção mundial.