Repressão no Egito e palhaçada em Londres

É curioso o "jeito" que democracias avançadas tratam de seus problemas com opositores. Lamentável

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Dois assuntos importantes que tento comentar rapidamente neste espaço de debates: a crise do Egito e a detenção do brasileiro namorado de Glenn Greenwald, o jornalista que publicou matérias sobre a espionagem dos EUA no mundo.

Egito

Desde a última quarta-feira, mais de 800 pessoas morreram nos conflitos entre partidários da Irmandade Muçulmana e forças de segurança.

O general que anunciou o golpe de julho, Abdul Al-Sisi, falou que o Exército "não vai tolerar a desordem no país", código para aumentar a repressão.

O premiê interino, Hazem el-Beblawi, já discute com seus auxiliares maneiras de banir, novamente, a Irmandade Muçulmana da vida política. Tal atitude só vai aumentar a tensão no país. Infelizmente, o Egito caminha para o infernal cenário da Síria.

O fato é que islamistas ficaram com medo após o banho de sangue de quarta passada e, no final de semana, não saíram às ruas em peso para novos atos. As Forças Armadas conseguiram impor o medo.

Um ponto interessante a ser analisado futuramente é como o Ocidente vai reagir a tudo isso. Caso os militares percam o apoio financeiro dos EUA, os cofres não vão ficar vazios. Basta telefonar para os sauditas.

Caso Snowden

O brasileiro David Miranda, namorado do jornalista Glenn Greenwald, que divulgou reportagens sobre os documentos vazados por Edward Snowden, foi preso neste último final de semana no aeroporto de Heathrow, em Londres, com base na lei de terrorismo do país. Miranda afirma ter ficado 11 horas sob custódia dos policiais.

Não é preciso ser muito espero para entender que há "algo" escondido nesse caso. Os EUA não engoliram que seus esquemas de espionagem foram revelados, e procuram punir os responsáveis por isso. Snowden está exilado na Rússia e, pelas relações EUA-Rússia, é improvável que algo de ruim possa acontecer a ele nas terras geladas de Putin.

Já o repórter do The Guardian está na linha de frente do caso, o que o torna um alvo mais fácil. Com a história da detenção de seu namorado, Greenwald falou que vai fazer matérias ainda mais agressivas sobre os escândalos da NSA (Agência Nacional de Segurança).

Segundo informações, o interrogatório ao brasileiro só teve um tema: o trabalho do Glenn. Nesta segunda-feira, o governo americano confirmou que foi comunicado pelo Reino Unido da prisão de Miranda. Um tanto óbvio.

É curioso o "jeito" que democracias avançadas tratam de seus problemas com opositores. Lamentável.

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