Resultado parcial mostra vitória de islâmicos no Egito

Nmeros confirmam previses de que os partidos islmicos, liderados pela Irmandade Muulmana, devem conseguir maioria dos votos; para Israel, resultado perturbador

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Resultado parcial mostra vitória de islâmicos no Egito (Foto: Mohamed Abd El-Ghany/ REUTERS)


Resultados preliminares da primeira eleição no Egito após a queda do ditador Hosni Mubarak mostram que os partidos islâmicos devem obter a maioria dos votos, com os partidos seculares derrotados em muitas áreas. Os números parciais das áreas do país que foram às urnas na segunda e terça-feira confirmam previsões de que os partidos islâmicos devem conseguir pelo menos dois terço dos votos.

Na cidade de Port Said, no norte do país, a aliança moderada liderada pela Irmandade Muçulmana obteve 32,5% dos votos, enquanto o radical Al-Nur ficou com 20,7%, segundo informações do jornal estatal Al-Ahram. O partido liberal Wafd ficou com 14% dos votos, enquanto outro partido islâmico, o Al-Wasat, teve 12 9%. Já no distrito Red Sea, a aliança da Irmandade Muçulmana ficou com 30% dos votos, enquanto a coalizão secular Egyptian Bloc obteve o segundo lugar, com 15%.

"O povo escolheu candidatos que representam sua identidade islâmica e nos quais confia", disse Mahmud Ghozlan, porta-voz da Irmandade, que espera ganhar 40% do total de votos no país. Ele destacou que o braço político do grupo, o Partido Liberdade e Justiça, é diferente dos salafistas, que segundo ele tiveram um sucesso surpreendente nas eleições. "Nós esperamos que as pessoas saibam distinguir movimentos diferentes e não coloquem todos os islâmicos no mesmo saco", comentou.

Os resultados integrais do primeiro turno, que teve uma taxa de comparecimento de 62%, deveriam ter sido publicados inicialmente na quarta-feira, mas foram adiados pela comissão eleitoral.

O movimento secular liberal obteve algumas pequenas vitórias isoladas, apesar de ter tido um papel essencial no levante que derrubou Mubarak, em fevereiro. O movimento acabou dividido e foi superado pela Irmandade Muçulmana, que é mais organizada e melhor conhecida dos egípcios, por conta das décadas de oposição ao regime de Mubarak e seu amplo trabalho social.

Mohammed Abdel Ghani, um candidato liberal, disse que seu movimento precisou combater propagandas de que "os candidatos não islâmicos eram infieis". No Cairo, um dos membros mais conhecidos do movimento, Amr Hemzawi, conquistou um assento no distrito de Heliopolis, mas em outras regiões as lideranças liberais não obtiveram o mesmo sucesso. Segundo o jornal independente Al-Masry Al-Youm, nenhuma mulher foi eleita no primeiro turno.

Essa foi apenas a primeira fase de uma eleição parlamentar que acontece em três etapas. Para a Câmara Baixa do Parlamento, o restante do país vai votar em duas novas fases realizadas este mês e em janeiro. A Câmara Alta será eleita em outra etapa, também com três fases. Os eleitores podem votar três vezes: duas para candidatos individuais e uma para um partido ou coalizão. As informações são da Dow Jones.

Para Israel, resultado da eleição no Egito é perturbador

O ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que os resultados preliminares da eleição parlamentar no Egito são "muito, muito perturbadores". Barak disse esperar que o primeiro parlamento do Egito eleito após a derrocada do ex-presidente do país, Hosni Mubarak, respeite os tratados internacionais, entre eles um acordo de paz assinado em 1979 assinado com Israel.

A eleição no Egito será feita em estágios e o resultado final será conhecido apenas no ano que vem. As informações são da Associated Press.

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