Rui Costa Pimenta: Chile foi cobaia da política neoliberal, agora a população vive na corda bamba

Presidente do PCO afirmou que a convulsão social que toma conta do Chile é resultado de políticas neoliberais adotadas pelo país há quase 50 anos. Situações como a dos chilenos estão se alastrando para toda a América Latina, declarou. “Um conjunto de acontecimentos pode disparar uma revolta popular de grande magnitude. Pode acontecer em qualquer lugar”, falou à TV 247. Assista

Rui Costa Pimenta, Piñera e imagens de protestos no Chile
Rui Costa Pimenta, Piñera e imagens de protestos no Chile
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247 - O presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, comentou em entrevista à TV 247 as grandes manifestações que tomam conta do Chile nas últimas semanas. Para Rui, os protestos são consequências das políticas neoliberais adotadas pelo país. Ele também comentou a situação tensa na Bolívia, onde a oposição ao presidente Evo Morales aponta fraude na disputa que o elegeu para o quarto mandato, e a guerra interna no PSL.

Rui Costa Pimenta disse que o Chile foi cobaia da política neoliberal e que agora, com a crise do capitalismo, os resultados desta política estão surgindo. “No Chile essa política neoliberal sempre foi apontada como sendo uma política bem-sucedida, quer dizer, a burguesia internacional apresentava o problema como sendo assim: ‘se você fizer uma reforma neoliberal radical, você consegue um equilíbrio na sociedade’. Nós estamos vendo agora que isso é um barril de pólvora e que simplesmente a população vive na corda bamba. Agora que a crise mundial capitalista se aprofundou um pouco, a coisa é totalmente insustentável”.

Ele também fez um balanço do cenário político em toda a América do Sul, e avaliou que levantes como os do Chile e Equador podem surgir também em outros países próximos. “A situação que nós estamos vendo no Chile e no Equador é uma situação que se estende para toda a América Latina, sem nenhuma exceção. A situação no Brasil é assim também, um conjunto de acontecimentos, aí pode disparar uma revolta popular de grande magnitude. Pode acontecer em qualquer lugar. Nós tivemos só aqui no continente o Haiti, Equador, Chile, Porto Rico, Peru, sem falar na situação muito tensa da Colômbia, da Argentina e do Brasil, e inclusive no México”.

Rui falou também que as revoltas do Chile e do Equador evidenciam uma nova etapa de enfrentamentos entre a população, os governos de direita e a política capitalista internacional.

Bolívia

Com as recentes polêmicas em relação a reeleição do presidente boliviano, Evo Morales, e o clima tenso de manifestações no país, Rui apontou que os supostos movimentos populares na Bolívia fazem parte de uma ação orquestrada da direita para desestabilizar o governo e tentar aplicar um golpe de Estado. “Os indícios de que isto estava para acontecer já estavam presentes antes. O próprio Evo Morales denunciou que haveria um golpe de Estado em preparação. Durante a campanha eleitoral tentaram invadir o palanque dele e surgiram do nada esses movimentos, aparentemente eles estão se apoiando na suposta fraude eleitoral”.

“Isso é uma tentativa de golpe de Estado na Bolívia, estão uma suposta fraude na eleição, é um pretexto, e lançaram esses destacamentos direitas nas ruas, isso não é manifestação popular”, complementou.

Crise no PSL

O presidente do PCO debateu ainda a crise interna no PSL. Para ele, a ala que se volta a favor de Jair Bolsonaro quer, na verdade, desestabilizá-lo. Rui destacou que Luciano Bivar, presidente do PSL, não poderia entrar em conflito com Bolsonaro, presidente, sem que tivesse retaguarda, sugerindo a possibilidade de que Bivar tenha respaldo do centrão na guerra interna.

“A pessoa que é do partido do presidente da República, a não ser que tenha motivos muito fortes e muito respaldo, não vai brigar com o presidente. Para um partido que nem o PSL, chegar à presidência da República é como se você encontrasse o pote de ouro, e agora o partido está brigando com o Bolsonaro. A única conclusão possível é que existe todo um setor que apoia o Bolsonaro mas que, ao mesmo tempo, está procurando enfraquecê-lo, o que pode levar à destituição do Bolsonaro também. A briga entre o cidadão Bivar e o presidente da república é uma briga meio esquisita, a gente não vê todo dia. Alguém chegou no Bivar e falou: ‘pode ir lá e brigar que a gente aqui segura sua onda’. Essa crise, na minha opinião, vem de fora”.

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