Rússia veta sanções da ONU no Mali
Moscou bloqueou a proposta francesa de prorrogar as medidas contra o Mali
RT — Todas as sanções da ONU contra o Mali serão encerradas em 31 de agosto, após a Rússia vetar a proposta da França e dos Emirados Árabes Unidos de prorrogá-las. Vassily Nebenzia, embaixador da Rússia nas Nações Unidas, afirmou que o projeto de resolução ignorou completamente as preocupações de Bamako e Moscou.
O projeto franco-emirati teria prorrogado tanto as sanções quanto o mandato do Grupo de Especialistas da ONU encarregado de monitorar o Mali, até agosto e setembro de 2024, respectivamente. Ele recebeu 13 votos no Conselho de Segurança da ONU, mas falhou porque a Rússia votou contra. A China se absteve.
O conselho rejeitou o projeto alternativo de Moscou, que teria encerrado imediatamente o mandato do Grupo de Especialistas e dado às sanções uma extensão "final" de 12 meses. O Japão votou contra, e outros 13 membros se abstiveram.
De acordo com a AP, Moscou mirou no Grupo de Especialistas porque seu último relatório criticou a empresa militar privada russa Wagner, acusando-a de "violência contra mulheres e outras formas graves de abusos aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário" para "espalhar o terror entre as populações".
Bamako justificou seu contato com o Grupo Wagner, alegando que os conselheiros de segurança russos eram muito mais eficazes contra insurgentes jihadistas - desencadeados no Sahel após a intervenção de mudança de regime da OTAN em 2011 na Líbia - do que os franceses ou a ONU.
O projeto franco-emirati "não levou absolutamente em consideração as preocupações do lado maliano e a posição da Federação Russa", disse Nebenzia após a votação, explicando seu veto.
Nebenzia lembrou ao Conselho de Segurança que o Mali solicitou as sanções contra oito indivíduos em 2017, como parte de um processo de paz. A resolução russa, segundo ele, "leva em consideração a posição dos membros africanos do Conselho" de que as sanções devem permanecer em vigor por algum tempo para promover a implementação do acordo de paz, mas "não se transformem em um instrumento de influência externa nos processos políticos internos do Mali".
A França, antiga potência colonial no Mali, já retirou todas as suas tropas do país da África Ocidental a pedido do governo militar em Bamako. Mali também deu prazo até 31 de dezembro para que cerca de 15.000 pacificadores da ONU e funcionários civis deixem o país.
"Esperamos que no futuro os proponentes de resoluções priorizem uma abordagem pragmática e os interesses do país anfitrião para evitar confrontos desnecessários no Conselho de Segurança", acrescentou Nebenzia. "Especialmente nas circunstâncias em que um acordo de compromisso poderia ter sido alcançado se certas delegações tivessem a vontade política para fazê-lo."
