Samuel Pinheiro Guimarães: EUA criaram a crise humanitária na Venezuela

Ex-secretário geral do Itamaraty, o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães afirma que não há possibilidade real de uma intervenção militar dos EUA na Venezuela; em entrevista à TV 247, ele critica ainda a atual política externa brasileira e avalia que "o Brasil tem condições excepcionais de ser um país grande, menos a convicção"; assista

Samuel Pinheiro Guimarães: EUA criaram a crise humanitária na Venezuela
Samuel Pinheiro Guimarães: EUA criaram a crise humanitária na Venezuela

247 - Ex-secretário geral do Itamaraty, o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães afirma que "os Estados Unidos foram responsáveis pela crise humanitária na Venezuela", fruto da política de ingerência que "utiliza dos embargos econômicos" para "golpear" países estratégicos. Em entrevista à TV 247, ele ainda analisa a atual conjuntura brasileira e considera que "o Brasil tem condições excepcionais de ser um país grande, menos a convicção".

Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República durante o governo do ex-presidente Lula, quando foi braço-direito do chanceler Celso Amorim na implementação da política externa "ativa e altiva", Guimarães trouxe duas boas notícias na entrevista: a de que uma intervenção militar dos EUA na Venezuela não é viável, na prática, e a de que a venda da Embraer à Boeing segue a passos lentos por resistência interna.

Venezuela e EUA

Ao analisar a situação de crise na Venezuela, o embaixador considera que o grande objetivo dos EUA é "criar condições políticas, econômicas e militares para que o governo venezuelano caia".

"Os EUA criaram uma crise humanitária na Venezuela através de seus embargos econômicos", afirma. Para ele, o governo Donald Trump atua "no chamado 'regime change' (mudança de regime), que pode ser traduzido também como golpe de Estado".

"Os EUA promovem os golpes através do financiamento de grupos internos e a provocação de manifestações de massa", explica ainda. "Eventualmente morrem algumas pessoas nos protestos que geram grandes chamativos, até conseguirem um apoio interno para derrubar o governo", relata.

O diplomata também contesta o lema do governo estadunidense de "levar democracia aos países". "Poderiam levar a democracia para tantos outros países, como a Arábia Saudita e outros aliados", exemplifica. 

Brasil: pequenas convicções

Ao analisar a política externa do governo de Jair Bolsonaro, o diplomata exalta os potenciais do Brasil, podados, no entanto, pela linha de pensamento de um país-colônia, agora totalmente alinhado à política dos Estados Unidos. "Temos 200 milhões de habitantes, um extenso território, além de grandes reservas de petróleo. O Brasil tem condições excepcionais, menos convicção", aponta.

Samuel Pinheiro Guimarães explica detalhadamente o que indica a nomeação de um general brasileiro para o posto de vice-comandante de interoperabilidade do Comando Sul do Exército dos EUA, o primeiro oficial brasileiro a ocupar esse posto e a ficar subordinado à cadeia de comando dos militares daquele país, como foi noticiado pelo 247 nesta semana.

Segundo ele, ao ocupar o posto, o governo brasileiro "contraria a política nacional de defesa" estabelecida no Pais. Com a nomeação, o Brasil se tornará, automaticamente, "inimigo da Rússia, China, Irã, Cuba e Venezuela", países que são alvos dos EUA, completa, enumerando diversos outras consequências com a decisão.

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