Scott Ritter: EUA sofrem derrota estratégica humilhante no Irã
Analista militar afirma que morte do aiatolá Ali Khamenei não levou à mudança de regime e pode fortalecer liderança iraniana diante de Washington
247 - Os Estados Unidos não conseguiram atingir o objetivo de provocar uma mudança de regime no Irã, mesmo após o assassinato do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. A avaliação é do analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais norte-americanos Scott Ritter, citado em reportagem do portal Military Affairs e repercutida pela agência Sputnik Brasil.
De acordo com a análise reproduzida pelo portal, a morte de Khamenei não produziu o efeito político esperado por Washington. Segundo Ritter, a estratégia de eliminar o líder iraniano não resultou no enfraquecimento do sistema político do país, tampouco abriu caminho para uma transformação do regime de poder em Teerã.
Na avaliação do especialista, o resultado da operação representa uma derrota estratégica para os Estados Unidos. Ritter classificou o desfecho como uma “derrota estratégica humilhante”, argumentando que, ao contrário do que era esperado por Washington, a estrutura política iraniana acabou se fortalecendo após a morte do aiatolá.
Ainda segundo o analista, o fracasso em derrubar o regime iraniano pode ter consequências mais amplas para os interesses norte-americanos na região. Para Ritter, caso os Estados Unidos não consigam provocar a queda do sistema político do Irã, isso indicaria que Washington perdeu a guerra estratégica e corre o risco de ver frustrados todos os objetivos que buscava alcançar no confronto com Teerã.
O portal também afirma que o Irã mantém capacidade militar significativa mesmo após os ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos. Segundo a publicação, o país não teria esgotado suas reservas de mísseis e continua com o arsenal em estado de alerta, preparado para eventuais desdobramentos do conflito.
Após o assassinato de Khamenei, o Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC) prometeu retaliar os responsáveis pela morte do líder supremo. Em comunicado separado, o Estado-Maior das Forças Armadas do Irã também declarou que dará uma resposta dura a Washington e afirmou que a causa defendida por Khamenei continuará sendo levada adiante pelas autoridades do país
O cenário indica que a tensão entre Teerã e Washington pode permanecer elevada, com as autoridades iranianas prometendo reação e analistas avaliando que a morte do líder supremo não produziu o efeito político esperado por seus adversários internacionais.