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Segunda caixa-preta do voo AF 447 é encontrada

O equipamento, inteiro e em bom estado, contm as comunicaes de rdio, conversas entre os pilotos e barulhos da cabine de comando informaes que podem enfim elucidar as causas da queda doavio da Air Franceh quase dois anos

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Roberta Namour – correspondente do 247 em Paris

O mistério em torno da queda do vôo Rio-Paris está cada vez mais perto de ser desvendado. A segunda caixa-preta do Airbus 330 da Air France, que caiu no oceano Atlântico no dia 1° de junho de 2009, causando a morte de 228 pessoas, foi encontrada ontem à noite. Os investigadores do Escritório de Investigações e Análises (BEA) já tinham anunciado o resgate da primeira caixa-preta – o módulo de memória que registra os parâmetros do Flight Data Recorder (FDR) - no último domingo. Nesses 23 meses de operações de resgate, a França desembolsou uma soma recorde de 35 milhões de euros.

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A segunda caixa-preta foi localizada a 3,9 mil metros de profundidade, a quase 10 metros de distância da primeira, às 23h50 (8h50 horário de Brasília). O equipamento foi trazido a bordo do navio Ile de Sein pelo robô submarino na manhã desta terça-feira, horário de Paris. A caixa-preta contém informações do Cockpit Voice Recorder (CVR), que possui a gravação de voz na cabine – informações preciosas que podem permitir aos investigadores reconstituir o cenário da catástrofe. “Se conseguirmos ler os dois gravadores, conseguiremos entender o que ocorreu”, afirmou Jean -Paul Troadec, diretor do BEA. Isso vai depender da corrosão que pode ter dafinificado uma parte dos dados. “A caixa-preta está inteira. O chassis, o módulo e o cilindro estão aí. Em geral o aspecto exterior está correto, está em bom estado”, disse Troadec.

As duas caixas-pretas foram mergulhadas num contêiner de água doce, a uma temperatura normal, para evitar que sejam submetidos a uma mudança brutal de ambiente. Elas continuarão assim até que o BEA comece a leitura em Bourget, próximo a Paris, em até 8 dias. Para respeitar o protocolo oficial imposto pela justiça francesa, os equipamentos serão transportados pela marinha nacional nos próximos dias. Eles passarão em seguida por Cayenne, na Guyane, antes de serem enviados por avião à Paris. No BEA, a abertura das travas de segurança será feita na presença de um oficial de polícia. Na sequência, os cartões de memória serão retirados, limpos e secos. Caso eles não estejam danificados, eles poderão ser explorados quase instantaneamente. Se tudo ocorrer como o previsto, as caixas-pretas deverão fornecer a versão oficial dos fatos até o final de maio. A elucidação do mistério poderá também vir da análise dos destroços do avião. « O resgate da fuselagem deve começar logo », afirmou o diretor do BEA.

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No plano jurídico, a Airbus e a Air France foram indiciadas em março por homicídio culposo. As famílias das vítimas, no entanto, desconfiam da independência do BEA, mantido pelo Ministério dos Transportes da França, nas investigações do caso. Uma delas apresentou uma queixa no Ministério Público. « É necessário que o Estado pare de orientar o BEA na intenção de proteger os interesses do Airbus e da Air France », diz a avogada Yassine Bouzrou. Segundo ela, no caso da queda do avião Concorde, um antigo diretor de investigações do BEA testemunhou que era submetido a pressoões para esconder documentos e manipular as operações.

 

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