Sérvia frustra plano para bombardear gasoduto Rússia-Hungria, afirma Vucic
Dispositivos foram achados próximo ao Balkan Stream; governo sérvio reforça segurança e Hungria convoca conselho após alerta sobre possível sabotagem
247 - As autoridades da Sérvia anunciaram a descoberta de explosivos de alto poder destrutivo próximos a um importante gasoduto que abastece a Hungria com energia russa. A informação foi divulgada pelo presidente Aleksandar Vučić, em declarações à imprensa no domingo. Segundo a rede RT, o caso ocorre em meio ao aumento das tensões energéticas na região, após a Ucrânia praticamente interromper o fornecimento de petróleo russo aos húngaros por seu território.
De acordo com Vučić, “dois grandes pacotes de explosivos com bastões” foram encontrados no município de Kanjiza, localizado a cerca de 10 quilômetros da fronteira com a Hungria. A área fica próxima ao gasoduto Balkan Stream, extensão regional do TurkStream, responsável por transportar gás natural através da Turquia, Bulgária, Sérvia e Hungria, chegando até a fronteira com a Eslováquia.
O presidente sérvio destacou a atuação das agências de inteligência do país na identificação do material. “Felizmente, fizeram um bom trabalho”, afirmou. Ele também sinalizou endurecimento na proteção de infraestruturas estratégicas: “Lidaremos impiedosamente com qualquer um que pense estar colocando em risco a infraestrutura vital da República da Sérvia”.
Sem atribuir responsabilidade direta pelo suposto plano de sabotagem, Vučić informou que manteve contato com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán. Segundo ele, uma eventual explosão poderia provocar interrupções no fornecimento de gás tanto na Hungria quanto no norte da Sérvia.
Orbán confirmou a conversa e disse que “a investigação está em andamento” e que “convocou um conselho de defesa de emergência para esta tarde”, indicando a gravidade do episódio para a segurança energética húngara.
A repercussão internacional incluiu posicionamento da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, que sugeriu motivações geopolíticas por trás da ação. Segundo ela, os responsáveis estariam tentando “privar a Hungria de sua soberania”.
“Eles estão fazendo isso de várias maneiras: politicamente, tentando interferir nos assuntos internos e nas eleições; economicamente, forçando o país a tomar decisões sob pressão que prejudicam a economia e o bem-estar dos húngaros; e no setor energético, tentando impedir que a Hungria obtenha recursos de qualidade a preços razoáveis”, declarou.
O episódio ocorre em um contexto de crescente atrito entre Hungria e Ucrânia. Nos últimos meses, os dois países têm divergido sobre o fornecimento de petróleo russo por meio do oleoduto Druzhba. Em janeiro, Kiev suspendeu o fluxo alegando um ataque de drone russo à infraestrutura — acusação negada por Moscou. Tanto a Hungria quanto a Eslováquia contestaram a versão ucraniana, afirmando que a medida foi usada como instrumento de pressão política.
Além disso, há registros de tentativas anteriores de atingir infraestruturas energéticas ligadas ao TurkStream. A Rússia também já acusou sabotadores ucranianos de participação na explosão dos gasodutos Nord Stream, em 2022, apontando possível apoio de serviços de inteligência ocidentais.
Diante desse cenário, a descoberta dos explosivos na Sérvia amplia as preocupações sobre a segurança energética na Europa Central e reforça o clima de tensão envolvendo rotas estratégicas de fornecimento de gás e petróleo no continente.