Soldados israelenses prendem e agridem jornalista da Al Jazeera durante ataque a hospital
As forças israelenses também destruíram veículos de transmissão das equipes de imprensa no Hospital al-Shifa, em Gaza
247 - Militares israelenses agrediram e prenderam o correspondente da rede Al Jazeera árabe, Ismail al-Ghoul, dentro do Hospital al-Shifa, em Gaza. Segundo a emissora, o escritor e jornalista palestino Imad Zaqqout e outras testemunhas, al-Ghoul foi severamente espancado por soldados israelenses antes de ser preso juntamente com outras dezenas de homens e mulheres no interior do hospital. “Mais de 80 pessoas foram detidas no Hospital al-Shifa, incluindo equipes médicas e evacuados” destaca a reportagem.
Segundo os relatos, as tropas estão dentro do pátio do hospital onde há vários corpos e feridos das vítimas do ataque. O Exército israelense também teria destruído veículos de transmissão das equipes de imprensa que estão nas imediações do Hospital al-Shifa. O hospital vinha sendo utilizado como uma base para as equipes de imprensa, além de abrigar centenas de palestinos que foram obrigados a deixar suas casas diante da escalada da ofensiva isarelense.
Mais cedo, a agência Reuters havia informado que o ataque israelense causou várias vítimas e provocou um incêndio intenso em um dos prédios da unidade médica.
Saiba mais na reportagem da Reuters sobre o assunto.
Reuters - Soldados israelenses invadiram o complexo do Hospital Al Shifa, em Gaza, na madrugada de segunda-feira, em uma operação que, segundo as autoridades de saúde palestinas, causou várias vítimas e provocou um incêndio intenso em um dos prédios.
Os militares israelenses disseram que os soldados conduziram uma "operação precisa" com base na informação de que o hospital estava sendo usado por líderes seniores do Hamas, e foram alvejados quando entraram no complexo.
"As tropas responderam com fogo real. Nossas tropas continuam a operar na área do hospital", afirmaram em um comunicado.
Al Shifa, o maior hospital da Faixa de Gaza antes da guerra, é agora uma das únicas instalações de saúde que está parcialmente operacional no norte do território, e também está abrigando centenas de civis deslocados.
"De repente, começamos a ouvir sons de explosões, vários bombardeios, e logo os tanques começaram a manobrar, eles vieram da via ocidental e seguiram em direção a Al Shifa, depois os sons de tiros e explosões aumentaram", disse à Reuters Mohammad Ali, de 32 anos, pai de dois filhos, que mora a cerca de um quilômetro do hospital, por meio de um aplicativo de bate-papo.
"Não sabemos o que está acontecendo, mas parece que foi uma outra invasão da Cidade de Gaza", acrescentou, dizendo que as atividades militares começaram por volta da 1h da manhã.
O Ministério da Saúde de Gaza, administrado pelo Hamas, disse que um incêndio começou na entrada do complexo hospitalar, causando casos de sufocamento entre mulheres e crianças que se abrigavam no hospital. Afirmou que a comunicação foi interrompida, com as pessoas presas dentro das unidades de cirurgia e emergência de um dos prédios.
"Há vítimas, incluindo mortos e feridos, e é impossível resgatar qualquer pessoa devido à intensidade do fogo e à mira de quem se aproxima das janelas", disse o ministério.
O Exército israelense lançou novos panfletos ao redor do hospital na Cidade de Gaza.
"Para todos aqueles que existem ou estão deslocados em Rimal e os deslocados em Al Shifa e seus arredores: vocês estão em uma zona de combate perigosa. A força israelense está operando duramente em suas áreas residenciais para destruir a infraestrutura terrorista", disse a nota, ordenando que as pessoas tomassem a estrada costeira em direção a Al-Mawasi, no sul da Faixa de Gaza.
O Hamas declarou em um comunicado que os militares israelenses cometeram um novo crime ao atacar diretamente os prédios do hospital sem se preocupar com os pacientes, a equipe médica ou os desabrigados que lá se encontravam.



