Para autor de 'Como as Democracias Morrem', o que ocorreu na Bolívia foi um golpe

Autor do livro "Como as Democracias Morrem", Steven Levitsky diz que Evo Morales errou ao tentar quarto mandato, mas que sim, foi um golpe. "Porque o comandante das Forças Armadas sugeriu a saída do presidente. Mas temos de ver se será um golpe que fortalecerá a democracia ou a enfraquecerá", diz ele

Protestos na Bolívia
Protestos na Bolívia (Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach)
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247 - O cientista político norte-americano Steven Levitsky, autor do livro "Como as Democracias Morrem", não tem dúvidas de que houve um golpe de estado na Bolívia, com a renúncia do presidente Evo Morales e do vice Alberto García Linera. 

Em entrevista ao jornal O Globo, Levitsky diz que a Bolívia é um país com longa história de mobilizações contra governos constitucionais, mas que Evo Morales errou no cálculo. "Se tivesse respeitado a Constituição e saído depois do terceiro mandato teria passado para a História como o presidente da Bolívia. Mas, primeiro, decide que quer um quarto mandato, faz um referendo, não respeita o referendo, o que é como insultar o povo", acredita o pesquisador da universidade de Harvard.

"Todo mundo sabia que a Corte Constitucional (que autorizou a quarta candidatura) estava ocupada por aliados políticos. E, depois de tudo isso, se cometem irregularidades na eleição, como apontam observadores e especialistas, o país mergulha numa crise delicada. Finalmente, sim, foi um golpe, porque o comandante das Forças Armadas sugeriu a saída do presidente. Mas temos de ver se será um golpe que fortalecerá a democracia ou a enfraquecerá", acrescenta. 

Questionado sobre como um golpe poderia fortalecer a democracia, Steven Levitsky diz que dependerá do comportamento dos setores que chegarão ao poder. "Se houver uma eleição limpa, e o que mais me preocupa é a perseguição contra o Movimento ao Socialismo (MAS). O MAS poderia, inclusive, ser proibido, como aconteceu no passado, por exemplo, com o peronismo. Se for assim, esse golpe enfraquecerá ainda mais a democracia", diz ele. 

Leia a entrevista na íntegra.

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