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Tariq Ali aponta 'guerra entre fundamentalismos'

"Há um pouco mais que sátira em jogo. O que estamos testemunhando é um conflito entre fundamentalismos rivais, cada um mascarado por diferentes ideologias", diz o escritor paquistanês Tariq Ali; ele lembra, ainda, que a liberdade de expressão não é um valor sagrado na França e cita leis que a restringem quando há risco de agitação social; "Até agora elas têm sido usadas para proibir apenas as aparições públicas do comediante francês Dieudonne por causa de piadas antissemitas e proibir manifestações pró-palestinos"

The writer Tariq Ali in his study at his home in Highgate, North London, UK. Photo by Steve Forrest/Insight-Visual Tel: +44 (0)20 7 253 2982 (Foto: Leonardo Attuch)

247 - O escritor paquistanês rejeita a 'sacralização' do Charlie Hebdo, após a chacina de Paris, e enxerga uma 'guerra de fundamentalismos' no episódio.

É o que ele argumenta no artigo Guerra entre fundamentalismos. "O Charlie Hebdo nunca escondeu o fato de que continuaria provocando os muçulmanos com blasfêmias ao profeta. A maior parte dos muçulmanos estava com raiva, mas ignorou os insultos. Para a publicação, era uma defesa dos valores seculares republicanos contra todas as religiões. O semanário atacava ocasionalmente o catolicismo, dificilmente – ou nunca – o fazia contra o judaísmo, mas concentrou sua ira sobre o islã", afirma Ali.

"A secularidade francesa de hoje significa, essencialmente, qualquer coisa que não é islâmica. Defender o direito de publicar o que quiserem, independentemente das consequências, é uma coisa, mas sacralizar um jornal satírico que dirige ataques regulares àqueles que já são vítimas de uma islamofobia desenfreada nos EUA e na Europa é quase tão tolo quanto justificar os atos de terror contra a publicação."

Ali lembra ainda que a liberdade de expressão não é um valor absoluto na França. "A França tem leis para restringir liberdades se há alguma suspeita de que elas possam causar agitação social ou violência. Até agora elas têm sido usadas para proibir apenas as aparições públicas do comediante francês Dieudonne por causa de piadas antissemitas e proibir manifestações pró-palestinos."

Ela cita ainda o risco de vitória da extrema direita na França, na próxima disputa presidencial. "A extrema direita está em ascensão na França. Marine Le Pen está na vanguarda, liderando as pesquisas para a próxima eleição presidencial, sempre relacionando os recentes acontecimentos à imigração desenfreada e dizendo que ela sempre havia alertado para isso."