HOME > Mundo

Trump amplia poder para contratar e demitir servidores federais

Reforma do serviço público permite à Casa Branca retirar proteções trabalhistas de até 50 mil funcionários de carreira

President Donald Trump delivers an economic speech at the Horizon Events Center in Clive, Iowa on Tuesday, January 27, 2026. (Official White House Photo by Molly Riley) (Foto: Official White House Photo by Molly Riley)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passará a ter mais poder para contratar e demitir até 50 mil servidores federais de carreira, após o anúncio de uma ampla reforma no sistema de serviço público feito por sua administração nesta quinta-feira. A medida representa uma reconfiguração profunda das regras que regem o funcionalismo federal norte-americano.

As informações foram divulgadas inicialmente pela agência Reuters, que destacou que a mudança atende a uma promessa de campanha de Trump de reduzir as proteções trabalhistas de funcionários considerados pela Casa Branca como “influenciadores” da formulação de políticas públicas dentro do governo.

Segundo o Escritório de Gestão de Pessoal dos EUA (OPM, na sigla em inglês), a reforma é a mais abrangente em mais de um século no serviço público federal. O foco são cargos que, na avaliação do governo, podem atuar de forma contrária às prioridades presidenciais. Durante seu primeiro mandato, Trump já havia se referido a esse plano como “Anexo F”.

“Não se pode administrar uma organização se as pessoas se recusarem a cumprir os objetivos e ordens legais da administração”, afirmou Scott Kupor, diretor do OPM e principal autoridade de recursos humanos do governo federal, ao justificar a iniciativa.

A nova regra, no entanto, deverá enfrentar questionamentos judiciais. Em janeiro, sindicatos de servidores federais e organizações aliadas ingressaram com uma ação para barrar a implementação da política antes que ela fosse totalmente detalhada. À época, juízes federais decidiram suspender temporariamente o processo enquanto o governo concluía as alterações.

Com a finalização da proposta, a disputa judicial será retomada. “Voltaremos ao tribunal para impedir essa regra ilegal e usaremos todas as ferramentas legais disponíveis para responsabilizar esta administração”, declarou Skye Perryman, da organização Democracy Forward, uma das responsáveis pela ação, em comunicado.

De acordo com a política anunciada, Trump terá autoridade para definir quais cargos do governo federal perderão as atuais proteções de emprego, ampliando significativamente o controle político sobre funções tradicionalmente ocupadas por servidores de carreira.

Além das mudanças nas regras de contratação e demissão, o OPM informou que o governo também está alterando a forma de aplicação das proteções legais destinadas a denunciantes. As normas que proíbem represálias contra funcionários que relatam irregularidades passarão por uma reformulação relevante.

Pela nova diretriz, as próprias agências federais serão responsáveis por estabelecer e aplicar proteções aos funcionários que denunciarem condutas como violações da lei ou desperdício de recursos públicos. Isso rompe com o modelo anterior, no qual essa atribuição cabia a um órgão independente, o Escritório do Conselheiro Especial.

Segundo um funcionário do OPM que falou a repórteres na manhã de quinta-feira, o governo exigirá que os servidores encarregados de investigar denúncias atuem de forma “imparcial” ao apurar alegações de retaliação feitas por denunciantes contra seus empregadores.