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Trump dá ultimato ao Irã e ameaça com “coisas ruins”

Presidente dos Estados Unidos afirma que acordo é urgente, fala em decisão em até 10 dias e mantém pressão militar no Oriente Médio

Trump dá ultimato ao Irã e ameaça com “coisas ruins” (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (19) que pretende fechar um acordo “significativo” com o Irã e advertiu que haverá consequências severas caso não haja entendimento. As declarações foram feitas durante a abertura da primeira reunião do Conselho de Paz, em Washington, segundo informou o jornal Valor Econômico.

De acordo com a reportagem do Valor Econômico, Trump também reforçou que Teerã precisa apoiar os esforços diplomáticos em curso no Oriente Médio. Apesar de mencionar negociações em andamento, o presidente elevou o tom ao afirmar que o país persa deve agir rapidamente para evitar uma escalada.

“Boas negociações estão acontecendo. Precisamos chegar a um acordo significativo, caso contrário, coisas ruins acontecerão”, declarou Trump no evento oficial. Ele acrescentou que poderá decidir em até dez dias se autoriza ou não uma ofensiva contra o Irã. “Talvez nós vamos fazer um acordo [com Teerã]. Vocês vão descobrir ao longo dos próximos dez dias, provavelmente”, afirmou.

No discurso, o presidente dos Estados Unidos também destacou o reforço da presença militar americana no Oriente Médio, classificada como a maior mobilização desde a invasão do Iraque, em 2003. Segundo ele, o envio de bombardeiros B-2 ao Irã, em junho do ano passado, durante a guerra de 12 dias iniciada por Israel, teria resultado na neutralização do programa nuclear iraniano. “Dizimou totalmente o potencial nuclear” do país, disse.

Trump reiterou que o Irã não pode desenvolver armamento nuclear. “Eles não podem ter uma arma nuclear. É muito simples. Eles não podem ter. Você não pode ter paz no Oriente Médio se eles tiverem uma arma nuclear”, declarou. Em outro momento, sinalizou incerteza sobre os próximos passos: “Agora talvez tenhamos que ir um passo além ou talvez não”.

Apesar das ameaças, as negociações diplomáticas continuam. Na terça-feira (17), representantes dos dois países se reuniram em Genebra para tentar conter a escalada da crise. Participaram do encontro os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, além do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi. Ambos os lados reconheceram avanços limitados nas tratativas.

Enquanto o diálogo avança lentamente, Washington mantém a pressão militar na região. O Irã, por sua vez, realizou exercícios conjuntos com Rússia e China e promoveu o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.

O governo americano exige que Teerã interrompa seu programa nuclear e limite o desenvolvimento de mísseis balísticos. O Irã sustenta que o enriquecimento de urânio tem fins exclusivamente energéticos e nega a intenção de produzir armas atômicas. “Agora é a hora de o Irã se juntar a nós em um caminho de paz”, afirmou Trump. Já a bordo do Air Force One, voltou a advertir que “coisas realmente ruins” podem acontecer caso não haja acordo, assegurando que os Estados Unidos alcançarão um entendimento “de uma forma ou de outra”.