Trump estuda separar mães e filhos que cruzam a fronteira com o México

Mulheres e crianças que cruzem juntas e ilegalmente a fronteira do México com os Estados Unidos podem ser separadas por autoridades norte-americanas; é o que diz uma proposta que está sendo analisada pelo Departamento de Segurança Nacional norte-americano, de acordo com três autoridades do governo; Parte da ideia por trás da proposta é evitar que mães tentem imigrar para os EUA com suas crianças, afirmou uma das fontes; Atualmente, as famílias que contestam a deportação ou procuram asilo são rapidamente libertas da detenção e podem permanecer no país até que seus casos sejam resolvidos na Justiça; Trump quer fim da política "prenda e solte"

U.S. President Donald Trump speaks during the Inaugural Law Enforcement Officers and First Responders Reception in the Blue Room of the White House in Washington, U.S., January 22, 2017. REUTERS/Joshua Roberts
U.S. President Donald Trump speaks during the Inaugural Law Enforcement Officers and First Responders Reception in the Blue Room of the White House in Washington, U.S., January 22, 2017. REUTERS/Joshua Roberts (Foto: Leonardo Lucena)

Por Julia Edwards Ainsley

WASHINGTO (Reuters) - Mulheres e crianças que cruzem juntas e ilegalmente a fronteira do México com os Estados Unidos podem ser separadas por autoridades norte-americanas. É o que diz uma proposta que está sendo analisada pelo Departamento de Segurança Nacional norte-americano, de acordo com três autoridades do governo.

Parte da ideia por trás da proposta é evitar que mães tentem imigrar para os EUA com suas crianças, afirmou uma das fontes.

A proposta pode permitir que o governo detenha os pais enquanto eles contestam a deportação ou esperam pelas audiências de asilo. Já as crianças podem ser colocadas em custódia de proteção pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, no "modo menos restritivo", até que possam ser levadas a um parente residente nos EUA ou um tutor escolhido pelo governo.

Atualmente, as famílias que contestam a deportação ou procuram asilo são rapidamente libertas da detenção e podem permanecer no país até que seus casos sejam resolvidos na Justiça. Decisão de um tribunal federal de apelações impede detenções prolongadas de crianças.

O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu o fim da política "prenda e solte", segundo a qual os imigrantes que cruzam ilegalmente a fronteira são livres para viver nos EUA até que seus processos legais sejam finalizados.

Duas autoridades que falaram com a Reuters receberam informações sobre a proposta no dia 2 de fevereiro, em encontro entre autoridades imigratórias e o chefe dos Serviços de Cidadania e Imigração dos EUA, John Lafferty.

Uma terceira autoridade, do Departamento de Segurança Nacional, afirmou que o órgão está considerando ativamente separar as mulheres de seus filhos, mas alertou que não há uma decisão sobre o assunto.

A Casa Branca e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos não quiseram se manifestar.

Em comunicado enviado à Reuters, o Departamento de Segurança Nacional disse: "A viagem para o norte é perigosa, com muitas situações em que as crianças --trazidas pelos pais, parentes ou contrabandistas-- são frequentemente exploradas, abusadas ou até perdem suas vidas".

"Pensando na segurança, o Departamento de Segurança Nacional continua analisando opções que desencorajem aqueles que pensam em atravessar a fronteira", afirmou o comunicado.

O parlamentar democrata Henry Cuellar, do Texas, cujo distrito inclui cerca de 320 quilômetros da fronteira com o México, criticou duramente a proposta em comunicado: "Resumindo: separar mães e filhos é errado".

"Esse tipo de coisa é que faz a segurança da fronteira descambar para a violação dos direitos humanos", afirmou.

Cerca de 54 mil crianças e seus responsáveis foram presos entre 1º de outubro de 2016 e 31 de janeiro de 2017, mais do que o dobro em relação ao mesmo período anterior.

Conheça a TV 247

Ao vivo na TV 247 Youtube 247