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Trump expulsa Tucker Carlson do movimento MAGA após críticas aos ataques contra Irã

Presidente dos EUA afirma que apresentador “se perdeu” e amplia ruptura com aliados do campo conservador

Tucker Carlson com Donald Trump durante um evento de campanha em Duluth, Geórgia, em 23 de outubro de 2024. (Foto: Carlos Barría/Reuters)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o apresentador conservador Tucker Carlson não faz mais parte do movimento político conhecido como Make America Great Again (MAGA). A ruptura ocorre após críticas públicas do jornalista à decisão de Washington de participar de ataques militares contra o Irã ao lado de Israel.

Segundo reportagem da ABC News, Trump afirmou em entrevista na quinta-feira que Carlson deixou de representar o movimento que impulsionou sua carreira política. “Tucker se perdeu. Eu já sabia disso há muito tempo, e ele não é um apoiador do MAGA”, disse o presidente.

Trump também defendeu o significado do movimento que lidera e reforçou que Carlson não compartilha mais de seus princípios políticos. “MAGA está salvando nosso país. MAGA está tornando nosso país grande novamente. MAGA significa América em primeiro lugar, e Tucker não representa nada disso”, acrescentou.

A tensão entre os dois ganhou força depois que Carlson criticou o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. O jornalista classificou a ação militar como “absolutamente repugnante e maligno”, posicionamento que aprofundou o distanciamento com Trump e parte do núcleo do movimento conservador.

Durante a campanha presidencial de 2024, Trump havia prometido evitar novas intervenções militares no exterior, apresentando-se como um “presidente da paz”. Na época, afirmou aos apoiadores que “não iria começar uma guerra, eu iria parar guerras”, uma mensagem que se tornou um dos pilares do discurso político do MAGA.

Carlson, que ganhou notoriedade como apresentador da Fox News, chegou a ser um aliado importante de Trump no passado recente. Ele discursou na Convenção Nacional Republicana de 2024 e entrevistou o então candidato durante a campanha eleitoral. Atualmente, o jornalista comanda a plataforma de streaming Tucker Carlson Network, na qual tem defendido uma política externa não intervencionista.

Nos últimos anos, Carlson também conduziu entrevistas internacionais de grande repercussão, incluindo conversas em Moscou com o presidente russo Vladimir Putin e com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov. Parte desse conteúdo foi posteriormente veiculada pela emissora estatal russa RT.

As divergências entre Trump e Carlson não são recentes. Em junho do ano passado, o presidente chamou o jornalista de “maluco” em publicações na plataforma Truth Social após críticas do apresentador a defensores de uma ação militar contra a República Islâmica.

Além da ruptura com Carlson, Trump também se distanciou recentemente de outra figura proeminente do campo conservador: a ex-congressista Marjorie Taylor Greene. A relação entre os dois se deteriorou após a divulgação de documentos relacionados ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Greene acusou Trump de impedir a divulgação completa dos arquivos e defendeu transparência total sobre o caso.

O conflito político se agravou quando Trump reagiu chamando Greene de “maluca” e “lunática delirante”. A tensão culminou com a renúncia da ex-congressista ao cargo no Congresso em janeiro. Posteriormente, Greene voltou a criticar o presidente após os ataques ao Irã, questionando o “estado mental” de Trump e acusando integrantes do governo de serem “mentirosos doentes” ao defender a operação militar.