UE, Israel e Egito assinam acordo por gás, mas complicações com Líbano geram tensão
Israel e o Hezbollah estão trocando ameaças, com o grupo militante alertando na semana passada que seu exército atacaria a plataforma de gás em Karish
247 com agências internacionais - Egito, Israel e a União Europeia assinaram nesta quarta-feira, 15, um acordo para aumentar os embarques de gás natural liquefeito para os estados-membros da UE. Bruxelas espera que o acordo ajude a reduzir a dependência energética da Rússia, que, no ano passado, forneceu cerca de 40% do gás utilizado pelo bloco europeu.
O gás será transferido de Israel para o Egito por meio de um gasoduto já existente. O Egito usará suas instalações para liquefazer o gás. Espera-se que o projeto proposto, com um orçamento aproximado de US$ 6 bilhões, satisfaça cerca de 10% das necessidades de gás natural da UE.
“O acordo fará com que Israel envie mais gás via Egito, que tem instalações para liquefá-lo para exportação por mar”, explicou a chefe da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em entrevista coletiva conjunta ao lado dos ministros de energia egípcio e israelense.
Israel emergiu como exportador de gás nos últimos anos após grandes descobertas offshore. Tel Aviv explora ainda mais possibilidades, incluindo o campo de Karish, na disputada fronteira marítima com o Líbano. Tel Aviv diz que o campo de Karish faz parte de sua zona econômica exclusiva reconhecida pela ONU. O Líbano insiste que esta é uma área disputada e espera liberar a produção offshore de petróleo e gás enquanto enfrenta a pior crise econômica de sua história moderna.
Israel e o Hezbollah estão trocando ameaças, com o líder do grupo militante, Hassan Nasrallah, alertando na semana passada que seu exército atacaria a plataforma de gás em Karish.
Um enviado dos Estados Unidos reuniu-se com o presidente libanês, Michel Aoun, na quarta-feira, no que foi descrito na mídia ocidental como uma tentativa de reduzir as tensões.