Venezuela: oposição não reconhece Constituinte e convoca novos protestos

Principal nome da oposição da Venezuela, Henrique Capriles, atacou a eleição para a Assembleia Constituinte realizada ontem; “Não reconhecemos esse processo fraudulento”, afirmou; Capriles conclamou que a militância contrária ao governo se mobilize para pelo menos duas manifestações – uma na segunda e outra na quarta-feira –, a fim de manter a pressão sobre Maduro e a sua empreitada de reescrever a Constituição da Venezuela

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Da Sputnik Brasil

“Não reconhecemos esse processo fraudulento”. A frase foi dita neste domingo pelo líder opositor venezuelano, Henrique Capriles, ao falar sobre a eleição de uma Assembleia Constituinte e convocar para esta segunda-feira uma nova série de protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

Capriles conclamou que a militância contrária ao governo se mobilize para pelo menos duas manifestações – uma na segunda e outra na quarta-feira –, a fim de manter a pressão sobre Maduro e a sua empreitada de reescrever a Constituição da Venezuela. A eleição, aliás, se viu cercada de polêmica dentro e fora do país.

Uma das primeiras discórdias diz respeito ao número de pessoas que foi às urnas neste domingo. De acordo com a opositora Delsa Solorzano, aproximadamente 9% da população da Venezuela saiu de casa para participar da eleição da Constituinte – e destes, 25% seriam votos de servidores públicos, os quais não deveriam ser validados.

As pessoas passam por uma barricada de rua que inclui um colchão com as palavras Maduro filho da puta durante confrontos nas eleições da Assembleia Constituinte realizadas em Caracas, Venezuela, 30 de julho de 2017.

Já o governo de Maduro aponta para uma participação de 90% dos venezuelanos, cujo número total de pessoas com direito a voto chegava a 19,4 milhões. “Recorde de participação. Não é nosso dever dizer isso, mas vocês viram e é auditável”, afirmou o primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela, Diosdado Cabello.

Números menos dissonantes foram os de vítimas registradas ao longo do fim de semana. De acordo com o opositor Henry Ramos Allup, 16 pessoas morreram nos últimos dois dias no país, aumentando a marca que ultrapassada as 120 vítimas fatais registradas desde o início da crise, há mais de quatro meses.

Apenas neste domingo, dia da eleição, 12 pessoas morreram, incluindo dois adolescentes, um soldado e um líder da oposição.

Não se sabe ainda quando serão divulgados os resultados do pleito – o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, pediu “paciência” –, que vai eleger 537 constituintes (173 setoriais e 364 territoriais), mais oito deputados de povos indígenas, que ocuparão os 545 assentos da Assembleia. A reforma constitucional deve alterar os papeis do Executivo, Legislativo e do Judiciário do país.

Mercosul e comunidade internacional repudiam eleição

A comunidade internacional reprovou e se negou a reconhecer qualquer resultado da eleição para a Constituinte venezuelana. Os Estados Unidos falaram em não reconhecer um “governo ilegítimo”, quanto a Espanha prometeu buscar opções de sanções junto aos seus pares europeus. Na América do Sul, o repúdio também foi geral.


Oficialmente, os governos de Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Chile, Costa Rica, México, Peru, Paraguai e Panamá expressaram abertamente o seu descontentamento com a iniciativa de Maduro em reformar a Constituição venezuelana. Em comum, a perspectiva de todos que a Venezuela vai ficando cada vez mais isolada no cenário internacional.

“A iniciativa do governo de Nicolás Maduro viola o direito ao sufrágio universal, desrespeita o princípio da soberania popular e confirma a ruptura da ordem constitucional na Venezuela. A Venezuela dispõe de uma Assembleia Nacional legitimamente eleita. Empossada, a nova Assembleia Constituinte formaria uma ordem constitucional paralela, não reconhecida pela população, agravando ainda mais o impasse institucional que paralisa a Venezuela”, disse o Itamaraty, em nota, neste domingo.

Uma sanção que pode ter impacto em Caracas pode vir de Washington já nesta segunda-feira. São os norte-americanos que exportam à Venezuela o petróleo mais leve necessário para diluir o petróleo extraído pelo país latino-americano.

Poucos países seguem abertamente ao lado de Maduro. Uma mensagem veio de El Salvador, de onde o presidente Salvador Sánchez Cerén enviou uma mensagem de apoio à empreitada reformista do presidente venezuelano. Embora não tenham se pronunciado até o momento, Rússia e China também estão ao lado de Maduro neste momento.

De acordo com analistas, a manutenção dos planos de Maduro aumentam significativamente a chance de uma guerra civil no país.

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