Zizek responde delírio de Ernesto Araújo: 'chanceler não entendeu a questão'

O filósofo Slavoj Zizek respondeu às críticas que recebeu do ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que citou o seu livro, "Vírus", para atacar a OMS e sustentar a tese de que a pandemia era parte de um 'plano comunista'. "Infelizmente, ele não entendeu a questão", disse Zizek

Filósofo Slavoj Zizek e Ernesto Araújo
Filósofo Slavoj Zizek e Ernesto Araújo (Foto: Reprodução | Agência Brasil)
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247 - O filósofo Slavoj Zizek respondeu às críticas que recebeu do ministro das Relações Exteriores de Jair Bolsonaro, Ernesto Araújo, afirmando que ele "não entendeu a questão". A informação é do jornal O Globo.

"O chanceler brasileiro me acusou de usar a epidemia do coronavírus como uma desculpa para introduzir outro vírus, o 'comunavírus'. Infelizmente, ele não entendeu a questão", disse Zizek.

O ministro escreveu um texto em seu blog pessoal afirmando que o "globalismo substitui o socialismo como estágio preparatório ao comunismo” e que há um “jogo comunista-globalista” para “subverter a democracia liberal e a economia de mercado, escravizar o ser humano e transformá-lo em um autômato desprovido de dimensão espiritual, facilmente controlável”.

Ernesto Araújo citou o livro de Zizek, “Vírus”. O filósofo neomarxista aponta que o coronavírus escancarou a insustentabilidade do sistema capitalista, demandando um pensamento para além do mercado financeiro e do lucro.

"Não quero impor nada, apenas observo que até governos conservadores estão lidando com a crise sanitária e econômica provocada pela epidemia. Estão introduzindo medida que, seis meses atrás, seriam inimagináveis e vistas como um sonho comunista", escreveu o filósofo.

E acrescentou: "Esses governos estão violando as regras básicas do mercado, distribuindo gratuitamente bilhões para que os novos desempregados sobrevivam. Estão ordenando o que a indústria deve produzir (equipamentos de saúde) e admitindo que precisamos não apenas de um serviço universal de saúde como também de um serviço global de saúde. Estão pensando em como prever fome maciça como uma consequência da pandemia... Em que outra época se viu conservadores se sentindo compelidos a agirem como comunistas, dando preferência ao bem comum em vez dos mecanismos do mercado?"

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