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Brasil amplia base de investidores e alcança 60,6 milhões em 2025

Levantamento da Anbima e Datafolha mostra crescimento consistente nos últimos cinco anos, avanço da digitalização e maior diversificação de produtos

Notas de dólar e de real 18/12/2024 REUTERS/Amanda Perobelli (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

247 - O Brasil encerrou 2025 com um total de 60,6 milhões de investidores, o equivalente a 36% da população adulta. Os dados fazem parte do levantamento Raio X do Investidor Brasileiro, produzido pela Anbima em parceria com o Datafolha e divulgado nesta quinta-feira (23), conforme noticiado pelo InfoMoney.

O crescimento representa um avanço significativo em relação a 2021, quando 31% dos adultos investiam. Apesar disso, o país ainda mantém uma parcela expressiva fora do mercado financeiro: cerca de 107,7 milhões de brasileiros não possuem aplicações em produtos financeiros.

A pesquisa, que está em sua nona edição, entrevistou 5.832 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 4 e 21 de novembro de 2025, em todas as regiões do país. O estudo analisa hábitos financeiros, comportamento de poupança e tendências recentes, como o uso de inteligência artificial e o impacto das apostas online nas decisões econômicas.

Ao longo dos últimos cinco anos, o avanço do número de investidores ocorreu de forma gradual, mas consistente. A proporção de brasileiros que conseguiu economizar dinheiro ao longo do ano subiu de 27% em 2021 para 33% em 2025. Já a parcela dos que efetivamente investiram atingiu o maior nível da série histórica, passando de 18% para 24% no período.

Entre os investidores, a caderneta de poupança continua sendo o produto mais utilizado, embora tenha perdido relevância. Em 2021, ela era utilizada por 75% dos investidores, percentual que caiu para 61% em 2025. Em contrapartida, houve crescimento expressivo de outros produtos, como títulos privados — incluindo CDB, LCI, LCA e debêntures — que passaram de 8% para 20%, além dos fundos de investimento, que avançaram de 9% para 14%.

O conhecimento sobre investimentos também evoluiu. Em 2025, 43% dos brasileiros afirmaram conhecer algum tipo de aplicação financeira de forma espontânea, sem a necessidade de estímulos ou listas, frente a 28% registrados em 2021.

Apesar dos avanços, o estudo aponta que a maioria da população ainda não investe. Entre os 64% que permanecem fora do mercado financeiro, 82% citam condições financeiras desfavoráveis como principal motivo para não poupar ou investir. Esse índice aumentou em relação a 2021, quando era de 75%. A percepção de falta de dinheiro também cresceu, passando de 60% para 67% no período.

As projeções para 2026 indicam potencial expansão da base de investidores. Segundo a pesquisa, 23,2 milhões de não investidores afirmam que pretendem começar a investir, enquanto 14,5 milhões de investidores atuais consideram deixar o mercado. Caso essas intenções se confirmem, o saldo seria positivo, com a entrada de 8,7 milhões de novos investidores. Ainda assim, o levantamento ressalta que esse tipo de expectativa costuma refletir um viés otimista dos entrevistados.

A digitalização tem desempenhado papel central nesse processo. O percentual de investidores que utilizam canais online para aplicar subiu de 49% em 2021 para 63% em 2025. Em contrapartida, a preferência pelo atendimento presencial em agências bancárias caiu de 43% para 32%.

Outro destaque é o uso crescente de tecnologias emergentes. Em 2025, 9% dos investidores afirmaram utilizar assistentes de inteligência artificial para buscar informações sobre produtos financeiros, superando meios tradicionais como Facebook, e-mail, TikTok e rádio.

O levantamento também evidencia o impacto emocional das finanças na vida dos brasileiros. O estresse financeiro permanece elevado: 47% da população apresenta alto nível de preocupação com suas finanças, enquanto 48% relatam estresse moderado. Apenas 5% dizem ter baixo nível de tensão em relação ao dinheiro.