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Governo realiza leilão para garantir energia em horários de pico

Certame de reserva de capacidade deve contratar até 10 GW e enfrenta críticas por preços do gás, impacto ambiental e incertezas do cenário internacional

Gás Natural (Foto: ALESP)

247 - O Ministério de Minas e Energia e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) realizam nesta quarta-feira (18) a primeira etapa do principal leilão de eletricidade do ano no Brasil, com foco em reforçar o abastecimento nos momentos de maior demanda. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo.

Chamado de leilão de reserva de capacidade, o certame busca garantir energia especialmente no início da noite, quando a geração solar diminui e o consumo aumenta. Nesta fase, poderão ser contratadas usinas hidrelétricas e termelétricas movidas a gás natural e carvão mineral, fontes fósseis que contribuem para o aquecimento global.

O leilão será realizado na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo, com início do fornecimento previsto para agosto deste ano, a partir de termelétricas já existentes. Até 2031, a expectativa é ampliar gradualmente a oferta, incluindo novas térmicas a gás e, posteriormente, hidrelétricas com capacidade de expansão. Os contratos terão duração de dez anos para térmicas e de 15 anos para hidrelétricas.

De acordo com dados da Aneel, 330 projetos foram inscritos, somando 120.386 megawatts de capacidade — mais de oito vezes a potência da usina de Itaipu. A maior parte corresponde a termelétricas a gás natural. Embora os participantes não tenham sido divulgados, é esperada a presença de grandes empresas do setor, como a Petrobras, a Eneva e a Âmbar.

Especialistas apontam que o leilão é essencial para equilibrar o sistema elétrico, que enfrenta excesso de geração em alguns períodos e escassez em outros. “Durante as manhãs, a gente tem bastante geração de energia solar [...] mas, conforme vai passando a tarde, a geração solar cai e o consumo fica muito alto”, afirmou Donato da Silva Filho, CEO da Volt Robotics. Segundo ele, “esse leilão é justamente para contratar usinas rápidas que conseguem ajudar nessa rampa no início da noite”.

O processo, no entanto, tem sido marcado por controvérsias. O certame chegou a ser adiado após disputas judiciais envolvendo regras que favorecem usinas mais flexíveis, capazes de ligar e desligar rapidamente. O governo manteve esse critério, considerado importante para evitar custos adicionais e reduzir emissões.

Outras disputas envolveram setores de óleo diesel e biodiesel, levando o governo a dividir o leilão em duas etapas. Além disso, críticas recentes recaíram sobre os preços-teto definidos para as térmicas a gás, inicialmente considerados baixos pelo mercado. Após reação negativa, o governo revisou os valores, o que levou o Tribunal de Contas da União a apontar fragilidades na metodologia adotada.

O leilão ocorre em meio à alta internacional do gás natural, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Segundo a consultoria Wood Mackenzie, os preços elevados tendem a encarecer a eletricidade quando as usinas forem acionadas. “Os preços elevados do gás JKM resultarão em maiores preços de eletricidade”, afirmou Javier Toro. Simulações indicam que a volatilidade pode aumentar significativamente, com impacto potencial na conta de luz dos consumidores brasileiros.