Moody’s rebaixa CSN e aumenta pressão por venda de ativos
CSN obteve US$ 1,2 bilhão para reforçar liquidez, mas endividamento, queima de caixa e vencimentos seguem pressionando a empresa
247 - A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito da Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, de B2 para Caa1, mantendo perspectiva negativa para a companhia. As informações são do Brazil Stock Guide.
Segundo o Brazil Stock Guide, a decisão amplia a pressão sobre a estrutura de capital da siderúrgica brasileira e reforça a avaliação de que a venda de ativos passou a ser um ponto central para a tentativa de estabilização financeira da empresa.
De acordo com a Moody’s, os indicadores de crédito da CSN seguem frágeis, os riscos de liquidez permanecem elevados e a companhia pode ser obrigada a recorrer a operações de refinanciamento que a agência eventualmente poderia classificar como trocas distressed, ou seja, transações realizadas em situação de pressão financeira.
O rebaixamento também atingiu notas sêniores garantidas emitidas por CSN Resources e CSN Inova Ventures. A avaliação reflete a preocupação da agência com a capacidade da companhia de enfrentar vencimentos relevantes de dívida nos próximos anos, em um cenário de geração de caixa ainda pressionada.
Em abril, a CSN captou US$ 1,2 bilhão por meio de um empréstimo-ponte para reforçar sua liquidez enquanto avança em negociações de venda de ativos. Para a Moody’s, no entanto, a operação oferece apenas fôlego de curto prazo e não resolve o problema estrutural da empresa: alavancagem elevada, queima recorrente de caixa e concentração de vencimentos de dívida.
A companhia havia anunciado em janeiro um plano para vender uma participação minoritária em ativos de infraestrutura e uma fatia majoritária de seu negócio de cimento. A meta é levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com essas operações.
Os recursos previstos com as vendas devem ser destinados à redução da dívida no nível da holding, à diminuição das despesas financeiras e à melhora da alocação de capital entre os diferentes negócios do grupo.
A pressão sobre a CSN aparece de forma clara no fluxo de caixa. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou fluxo de caixa livre negativo de R$ 1,5977 bilhão, o equivalente a uma queima média de cerca de R$ 533 milhões por mês.
A empresa atribuiu o resultado a uma combinação de desempenho operacional sazonalmente mais fraco, consumo de capital de giro, despesas financeiras elevadas e amortizações relevantes de dívida durante o período.
Em bases ajustadas, o fluxo de caixa livre da CSN também ficou negativo, em R$ 520,4 milhões no trimestre. Esse valor corresponde a aproximadamente R$ 173 milhões por mês. Embora essa métrica exclua alguns efeitos, ela ainda aponta para a necessidade de redução do endividamento e de melhora na geração recorrente de caixa.
A Moody’s informou que a CSN tinha R$ 13,4 bilhões em caixa consolidado ao fim de março, incluindo R$ 8,8 bilhões na subsidiária de mineração. Após o empréstimo-ponte, a liquidez disponível subiu para R$ 18,6 bilhões.
Mesmo com esse reforço, a companhia enfrenta R$ 28,6 bilhões em vencimentos de dívida até 2028. A agência também projeta que o fluxo de caixa livre continue negativo, considerando os atuais planos de expansão e pagamento de dividendos.
O Ebitda ajustado da CSN ficou em aproximadamente R$ 8,8 bilhões nos 12 meses encerrados em março de 2026, abaixo dos R$ 8,9 bilhões registrados em 2025. A alavancagem ajustada pela Moody’s recuou de 6,1 vezes para 5,8 vezes.
Apesar da leve melhora, a agência espera que a alavancagem permaneça entre 5,5 vezes e 6,5 vezes nos próximos 12 a 18 meses. A avaliação considera a pressão provocada por preços mais baixos do aço e do minério de ferro.
Outro ponto de preocupação é a estrutura financeira do grupo. Segundo a Moody’s, a maior parte da dívida da CSN está concentrada no nível da holding, enquanto a maior parcela da geração de caixa vem da subsidiária de mineração.
Essa diferença entre onde a dívida está alocada e onde o caixa é gerado reduz a flexibilidade financeira da companhia e aumenta a urgência de medidas de desalavancagem, como a venda de ativos ou outras alternativas para recompor o balanço.
O novo rebaixamento ocorre após ações anteriores de Fitch, S&P e Moody’s Local em 2026. Para investidores e credores, o plano de venda de ativos da CSN deixou de ser apenas uma opção estratégica e passou a representar o principal teste para a empresa evitar uma deterioração maior de sua situação financeira.
A capacidade da companhia de concluir as operações anunciadas e reduzir sua dívida será determinante para aliviar a pressão sobre o balanço antes que os vencimentos de dívida imponham escolhas mais difíceis ao grupo.
