Jogo político - momentos históricos do futebol em outros campos
Para ínumeros fãs, futebol é muito mais do que um esporte: é arte, é matemática, é história e é tambem, política. O futebol já simbolizou a paz, já parou a guerra, já foi instrumento de resistência e moeda diplimática.
Importantes acontecimentos foram refletidos ou questionados em campo, com resultados que ninguém apostaria. Continue conosco e conheça alguns dos jogos que sacudiram a política mundial. Para os outros, aposte no futebol sportingbet.com
Política em campo
Não foram poucos os momentos em que o futebol participou da política nacional e internacional. Frequentemente, pressões e disputas que acontecem fora do estádio se refletem nos gramados. Confira abaixo alguns dos casos mais marcantes do futebol na política.
Pelé contra a guerra na Nigéria
Com tantas histórias lendárias no currículo, é difícil saber quando uma história é apenas lenda. Esta, segundo alguns críticos, pode nunca ter existido. O Rei da Bola teria interrompido nada menos do que a guerra civil na Nigéria para vê-lo jogar. A história fica ainda mais inusitada quando lembramos que ele foi jogar lá, não com a seleção, mas com o Santos.
Pelé e o Peixe desembarcaram na Nigéria em 1969, enquanto o país ainda tentava reanexar o território rebelde autointitulado “República de Biafra”. O jogo aconteceu na cidade de Benin, uma das mais atingidas pelo conflito.
Mesmo assim, Pelé foi recebido com festa e o governador da região decretou feriado na cidade, para que o time pudesse jogar. Houve a liberação de uma das pontes de acesso à cidade, para todo mundo pudesse chegar no estádio. A República de Biafra sobreviveu até o ano seguinte, sendo reanexada pela Nigéria, em dos capítulos mais sangrentos da história do país.
A copa de 70 e ditadura no Brasil
Na Copa de 70, o Brasil atravessava os momentos mais sombrios da ditadura militar. O AI-5 havia sido promulgado dois anos antes, inaugurando a fase mais repressora do regime. O jingle “Pra Frente Brasil”, originalmente composta para uma propaganda de cervejaria, fez tanto sucesso, que atraiu a atenção do ditador da vez, o general Emílio Médici.
O tom patriótico e orgulhos servia bem aos propósitos nacionalistas do regime. Médici então pegou carona na alegria da Copa e na popularidade do jingle, para investir em campanhas para melhorar a imagem do regime. A vitória da seleção inflamou ainda mais os nacionalistas, e frases como “Brasile, ame-o ou deixe-o”, surgiram nessa época.
Entretanto, existem relatos de que Médici não teria sido apenas torcedor. Quando o ditador sugeriu que o atacante Dario deveria ser escalado, o técnico João Saldanha, famosamente respondeu ao pedido dizendo que assim como ele não escalava ministros, não cabia o presidente escalar os jogadores. Saldanha foi demitido antes mesmo de embarcar para o México.
Espanha e catalunha em campos separados
A independência da Catalunha é um assunto sensível para os espanhóis. O parlamento catalão chegou a aprovar a própria independência em 2017, o que não foi reconhecido pelas autoridades espanholas. Barcelona é uma das cidades mais importantes da região, além de ser, obviamente, a casa do Barça.
A questã política entra em campo, quando lembramos que o maior clássico do país (ou “El Classico, se preferir) é disputado entre Barcelona e Real Madrid. Los Blancos, neste caso, simbolizam Espanha e a unidade nacional. Futebol e separatismo são componentes extramente inflamáveis, quando combinados.
Em 2017, o Barça se recusou a jogar em Camp Nou, num jogo marcado justamente para o dia do referendo que poderia decidir a independência a região, 1º de outubro. Como o pedido de remarcar a partida não atendido, o time fechou o estádio em protesto. No mesmo dia, o Real Madrid jogou no Santiago Bernabéu. Nas arquibancadas lotadas, tremulavam bandeiras da Espanha, em apoio ao estado espanhol.
O Barcelona acabou virando símbolo da resistência catalã. Seu slogan demonstra bem seu papel para seus torcedores: “mais que um time”. A torcida é tão agarrada à sua simbologia, que aos 17:14 da partida, começa a entoar o hino de independência da região. O momento preciso do jogo foi escolhido em homenagem ao Cerco de Barcelona, em 1714, durante a Guerra da Sucessão, onde a luta por independência foi mais uma vez, derrotada.
Feliz Natal
O ano de 1914 marca o início da Primeira Guerra Mundial, um dos maiores conflitos da história da humanidade. No natal daquele mesmo ano, soldados alemães e ingleses instituiram uma trégua não-oficial. O cessar-fogo durou seis dias, durante os quais soldados dos dois lados, não só abaixaram as armas, como confraternizaram.
Houve ainda partida de futebol, disputadas por soldados franceses e ingleses na “terra de ninguém”. A “terra de ninguém” era a região que ficava entre as trincheiras. As confraternizações tiveram efeitos imediatos nas fileiras. Como os soldados não queriam mais lutar com quem tinham acabado de confraternizar, o número de deserções disparou. As confraternizações continuaram ao longo da guerra, apesar da repressão dos oficiais.
Jogando nas ruínas do pós-guerra
A Segunda Guerra Mundial deixou a Europa em ruínas. Parte importante do esforço de recuperação do pós-guerra era levantar o ânimo da sociedade, ainda traumatizada com os horrores recentes. Após ganhar a guerra, ainda era necessário ganhar a paz. O conflito acabara em 2 de setembro de 1945.
Em novembro do mesmo ano, o Dynamo Moscow foi convidado para uma turnê pela Inglaterra, onde jogaria partidas amistosas com o Arsenal, o Stanford Bridge e o Chelsea. A iniciativa visava, além de entreter o povo, manter os laços entre a União Soviética e os Aliados. Nada melhor do que um amistoso de futebol para selar a amizade, certo?
Na verdade, a diplomacia entre a URSS e o ocidente nos anos seguinte se parece bastante com a partida entre Dynamo Moscow e Arsenal. No dia do jogo, que aconteceu em Londres, a cidade foi coberta por uma densa neblina, que misturava a tradicional “fog” com a poluição das fábricas próximas.
Com pouquíssima visibilidade, o que se seguiu foi um show de horrores. Quando a névoa baixou, jogadores expulsos haviam voltado a campo no Arsenal, enquanto o time soviético tinha dois jogadores a mais. Diversos jogadores saíram de campo com olhos roxos e supercílios abertos. A partida terminou 4-3 para o Dynamo, em um resultado para lá de questionável.
Palestina, Israel e a copa de 2018
Não é preciso voltar para tempos analógicos para testemunhar a política nos gramados. Nem Palestina nem Israel participaram desta edição, mas estiveram no caminho da Argentina para a Rússia, em 2018. O problema começou quando o amistoso contra seleção de Israel, marcado para acontecer em Haifa, foi transferido para Jerusalém.
Houve uma onda de críticas internacionais contra a mudança, que colocava o jogo justamente no ponto nevrálgico das tensões no Oriente Médio. Concordar com a alteração representava um apoio simbólico à Israel na questão. No ano anterior, palestinos que prosteram contra a decisão de Trump de transferir a embaixada americana lá, foram brutalmente reprimidos pela polícia.
Com a mudança do local do amistoso, os palestinos voltaram às ruas protestaram até mesmo em frente ao campo de treinamento do Barcelona. A Associação do Futebol Argentino (AFA) cancelou o jogo, mas repudiou a afirmação de que o amistoso poderia ser uma forma de apoio ao governo israelense.