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Médico esclarece os principais pontos da hérnia de disco

A dor lombar é considerada um dos problemas de saúde mais comuns em todo o mundo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)

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A dor lombar é considerada um dos problemas de saúde mais comuns em todo o mundo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 80% da população global sofrerá com dores na região lombar em algum momento da vida. No Brasil, estima-se que a dor lombar seja a principal causa de afastamento do trabalho, gerando impactos significativos na produtividade e na qualidade de vida dos pacientes.

Dentro desse contexto, a hérnia de disco tem se destacado como um dos principais fatores que contribuem para quadros mais intensos de dor lombar. Estudos apontam que aproximadamente 5% a 20% das pessoas com dores nas costas podem apresentar hérnias discais. A condição ocorre quando o disco intervertebral – responsável por amortecer impactos na coluna – sofre um deslocamento ou rompimento, comprimindo as raízes nervosas e gerando dor, dormência e até perda de força em casos mais graves.

Segundo o médico fisiatra e especialista em dor, Dr. Marcus Yu Bin Pai, a importância de se atentar aos sinais iniciais não pode ser subestimada. “A hérnia de disco pode levar a complicações sérias, como déficit motor e formigamentos persistentes. Por isso, a avaliação precoce é fundamental para um tratamento eficaz”, afirma. Ainda segundo ele, o diagnóstico correto faz toda a diferença na condução do caso: “É essencial realizar exames de imagem, como ressonância magnética, para confirmar o diagnóstico e determinar a abordagem terapêutica mais adequada.”

Principais Sintomas e Importância do Diagnóstico

A dor lombar causada pela hérnia de disco geralmente irradia para os membros inferiores, especialmente para a parte de trás das pernas. Além da dor, é comum relatar sensações de formigamento, fraqueza muscular e alterações de sensibilidade. Identificar esses sinais e buscar avaliação médica imediata pode evitar o agravamento do problema.

Dr. Marcus reforça a necessidade de individualizar o tratamento: “Nem todo paciente com hérnia de disco precisa de cirurgia. Em muitos casos, a reabilitação com fisioterapia, exercícios específicos e tratamento medicamentoso é suficiente para reduzir a dor e promover a recuperação.” Ele acrescenta: “A educação do paciente sobre o funcionamento da coluna e a adoção de hábitos saudáveis, como atividade física regular e ergonomia adequada, são fatores essenciais para evitar recaídas.”

Tratamentos e Prevenção

O tratamento da hérnia de disco depende da intensidade dos sintomas e do impacto na qualidade de vida do paciente.

Abordagens Convencionais: Alívio e Recuperação

Em muitos casos, a fisioterapia e a reabilitação são a chave para a melhora. Exercícios específicos, focados no fortalecimento e alongamento da musculatura das costas, e técnicas como o pilates clínico, ajudam a estabilizar a coluna vertebral, reduzindo a pressão sobre o disco afetado. Para controlar a dor e a inflamação, médicos podem prescrever medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, proporcionando um alívio temporário. A acupuntura, com a inserção de agulhas finas em pontos estratégicos, também é uma aliada no controle da dor.

Em situações de dor intensa, os bloqueios e infiltrações, com injeções de corticosteroides ou anestésicos diretamente na área afetada, podem oferecer um alívio mais potente e duradouro. A cirurgia convencional, como a microdiscectomia (remoção da parte do disco que está pressionando o nervo) e a artrodese (fusão de vértebras para estabilizar a coluna), é reservada para casos mais graves, com comprometimento neurológico ou quando outras terapias não surtiram efeito.

Tratamentos Inovadores: Tecnologia a Favor da Saúde

A medicina está em constante evolução, e novas tecnologias trazem esperança para quem sofre de hérnia de disco. A cirurgia endoscópica da coluna, por exemplo, é um procedimento minimamente invasivo. Com o auxílio de uma pequena câmera, o cirurgião acessa e remove a hérnia, preservando ao máximo os tecidos ao redor. Isso resulta em uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. De acordo com o médico, procedimentos cirúrgicas são a exceção, sendo recomendados apenas para uma minoria de pacientes, que evoluem com dor intensa e persistente.

Em casos selecionados, a substituição do disco danificado por uma prótese pode ser uma alternativa. Essa abordagem visa preservar a mobilidade da coluna, diferentemente da artrodese, que une as vértebras. Para dores crônicas que não respondem a outros tratamentos, a neuroestimulação elétrica, com o implante de um dispositivo que emite impulsos para modular a dor, pode ser uma opção.

Além disso, terapias biológicas e regenerativas, como a injeção de células-tronco e a proloterapia, ainda estão em fase de pesquisa, mas representam um futuro promissor para a regeneração dos discos intervertebrais.

Prevenção: O Melhor Remédio é Cuidar da Coluna

Mais do que tratar, é fundamental prevenir a hérnia de disco. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença. A prática regular de atividades físicas de baixo impacto, como caminhada e natação, fortalece os músculos que sustentam a coluna.

Atenção à postura! Ajustar a altura da cadeira, usar apoio para os pés e manter o computador na altura dos olhos são medidas simples que evitam a sobrecarga na coluna. Manter um peso saudável também é crucial, pois o excesso de peso aumenta a pressão sobre os discos.

Conclusão

A hérnia de disco é uma das principais causas de dor lombar e, quando não diagnosticada a tempo, pode ter repercussões sérias na saúde e na qualidade de vida das pessoas. No entanto, a combinação de diagnóstico precoce, tratamentos individualizados e foco em prevenção tende a oferecer excelentes prognósticos. Conforme enfatiza o especialista, “o melhor aliado contra a hérnia de disco é o conhecimento, tanto por parte dos profissionais de saúde quanto dos pacientes”.