2014 sem Marina Silva fará 1º turno ter cara de 2º
Prognósticos convergem em apontar que TSE não concederá, nas próximas horas, registro ao Rede; ex-ministra Marina Silva jura de pés juntos que não tem plano B; assim, se ela não concorrer, e com José Serra tendo dito o 'fico' ao PSDB, quadro para 2014 mostra apenas dois candidatos bem estruturados pela oposição: o tucano Aécio Neves e o governador Eduardo Campos, do PSB; era tudo o que os estrategistas da presidente Dilma Rousseff queriam; com menos adversários, será mais fácil se defender de ataques e mostrar os pontos positivos de sua gestão; para melhorar, PT fará de tudo para convencer Campos a manter-se entre seus aliados; se der certo, na prática páreo de primeiro turno será o segundo turno antecipado
247 – Está ficando como o PT queria. A poucas horas definição, pelo Tribunal Superior Eleitoral, a respeito do registro do Rede Solidariedade, os prognósticos são unânimes em apontar que a ex-ministra Marina Silva não conseguirá sua própria legenda para concorrer à Presidência da República em 2014. Além disso, o ex-governador José Serra anunciou formalmente, pelo Facebook, que permanecerá no PSDB, fechando a porta para uma candidatura própria pelo PPS.
A se crer na palavra de Marina, de que não tem um plano B para deflagração imediata – como a própria filiação a outra agremiação ou, mesmo, aceitar os acenos do PSDB para concorrer como vice do tucano Aécio Neves -, o quadro eleitoral estará resumido a três candidatos bem estruturados nacionalmente: a presidente Dilma, pelo PT, o senador Aécio Neves, do PSDB, e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB. Essa configuração pode significar que o primeiro turno da eleição presidencial terá todo o jeitão de um emocionante segundo turno.
Explique-se. Enquanto a oposição gostaria de ter o maior número possível de candidatos no primeiro turno, para pulverizar as opções do eleitor e, segundo esse cálculo, provocar uma segunda volta por meio da soma de votos dados a essas candidaturas, o governo torce para que o contrário ocorra. O quadro ideal imaginado pelo Palácio do Planalto é o de polarização entre um candidato do governo e apenas um concorrente forte da oposição já em primeiro turno. Dessa maneira, a presidente Dilma Rousseff, em sua tentativa de reeleição, faria foco no desenvolvimento da defesa de sua gestão e do seu programa de governo, sabendo exatamente de onde surgirão as críticas que terá de rebater. Com muitos adversários a atacá-la, o que se teme é uma multiplicação de queixas e, com isso, menos chances de resolver a eleição no primeiro momento.
Sem Marina, mas ainda com Campos e Aécio – ou José Serra, que disse o 'fico' aos tucanos, sem, no entanto, definir se e a qual cargo pretende concorrer -, todo o esforço dos petistas, com o ex-presidente Lula à frente, será, agora, para forçar a desistência de Campos.
O governador de Pernambuco, é verdade, disse que só aceita conversar sobre candidatura em 2014. Ele deverá manter o suspense, mas é previsível que o assédio sobre ele só faça aumentar. Afinal, para o PT, lutar diretamente contra o PSDB de Aécio (ou Serra), já no primeiro turno, pode significar duas chances de vitória: em primeiro turno e, se não der certo, no segundo turno novamente, uma vez que todas as projeções indicam que, no mínimo, a presidente Dilma passará de fase.
Em razão do prazo limite para filiação partidária a tempo de concorrer às eleições de 2014, neste sábado 5, o que se tem é que o destino da corrida eleitoral do próximo ano pode estar sendo definido já na largada.