A casa é de Cachoeira; a conta da água, de Marconi

A conta foi cortada e irritou o contraventor. A informao est em O Globo, que mostra tambm que os dois quase brigaram. Os fatos s reforam a ligao estreita entre os dois, embora Marconi admita apenas encontros ocasionais

A casa é de Cachoeira; a conta da água, de Marconi
A casa é de Cachoeira; a conta da água, de Marconi (Foto: Edição/247)

Goiás 247 – Reportagem de O Globo deste domingo reforça que a Polícia Federal vê ligações entre Cachoeira e o governador Marconi Perillo (PSDB), e traz uma informação no mínimo curiosa: a conta de água da casa onde morava Andressa, a namorada de Cachoeira – e onde ele foi preso –, estava no nome de Marconi. Mostra ainda O Globo que a relação entre os dois esteve por um fio. Tudo por conta da Delta.

A revelação só reforça o que o governador vem tentando de todos os meios negar: uma relação próxima e de negócios com Cachoeira. A ponto de Marconi ter chamado Cachoeira de “liderança” e até amigo (“Faz festa e não chama os amigos?”), e Cachoeira, por sua vez, o ter denominado de “amigo”.

Uma olhada no volume 7 do anexo do relatório da Polícia Federal deixa claro como eram naturais as relações do grupo de Cachoeira com o governador e como agiam no governo. O 247 publicou com exclusividade a íntegra do inquérito do STF contra o senador Demóstenes Torres.

Abaixo, a reportagem de O Globo.

 

PF vê ligações entre Cachoeira e governador

A relação entre Carlinhos Cachoeira e Marconi Perillo remonta à conta de água da casa onde a mulher do contraventor morou provisoriamente em Goiânia. Em agosto de 2011, Carlinhos Cachoeira liga indignado para o seu braço direito, o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez, para reclamar do corte do fornecimento de água na casa onde Andressa estava morando — segundo a PF, uma residência que “pertencia ao governador em sociedade com Carlinhos Cachoeira”. A casa foi vendida ao professor Valter Paulo, empresário de renome no estado.

A gravação começa com Wladimir relatando ao bicheiro as providências:

— Ô chefe. Ele tá ligando lá pro menino pra mandar religar (a água). Vai ligar pro gerente lá pra ver como é que faz. Conversei com próprio Julinho (Júlio Vaz, diretor financeiro da Saneago). Mas deixa eu te falar, não é só tirar o lacre lá, não?.

Cachoeira diz que não vai mexer com isso, mas diz que o comunicado de corte pode até provocar demissões na companhia de água:

— Outra coisa: R$ 40, rapaz, (na) casa do governador. E emite um papel de corte ... pega um papel desse aqui, demite todo mundo lá.

De acordo com a PF, a conta de água continuava em nome de Marconi Perillo, mesmo com a mulher de Cachoeira já morando lá.

No inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirma, como uma censura, que o governador Perillo mantém amizade com pessoa “que já foi alvo de escândalo nacional, cuja atuação no ramo de exploração ilegal de jogos de azar não é nenhum segredo”.

Escutas telefônicas feitas pela PF revelam que era forte e cotidiana a ligação do grupo de Cachoeira com funcionários do governo de Goiás, levando à demissão de três servidores ligados a Marconi: a sua ex-chefe de gabinete Eliane Pinheiro; o presidente do Detran, Edivaldo Cardoso; e o procurador-geral do estado, Ronald Bicca.

 

Carlinhos Cachoeira ameaçou romper com Marconi Perillo

Em meados do ano passado, contrariado com a perda de contratos da Delta no entorno do Distrito Federal, Carlinhos Cachoeira ameaçou romper a aliança que dizia ter com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Avisado por um interlocutor de ambos, Marconi teria tentado marcar uma audiência privada com o contraventor para resolver o impasse

Os diálogos, gravados pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, ocorreram em julho. Após afirmar, em discurso na companhia de saneamento de Goiás (Saneago), que iria acabar com o monopólio da Delta, Marconi provoca a ira de Cachoeira e Demóstenes Torres, que o chamam de “maluco” e “vigarista” e asseguram que jogarão duro com ele. Dias depois, Marconi teria mandado dizer a Cachoeira que houve um mal entendido.

O bicheiro demonstra indignação em 14 de julho, após saber do discurso de Marconi pelo vereador de Goiânia Santana Gomes (PMDB). A indignação é compartilhada com o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu, o ex-presidente da Câmara de Goiânia e braço direito de Cachoeira, Wladimir Garcez, e Demóstenes, que orienta sobre o tratamento que deve ser ado ao governador.

— Professor, você não fraqueja aí não, pô. Os caras têm que mandar um recado duro pra ele. Manda o Edvaldo (Edvaldo Cardoso, ex-presidente do Detran) entregar o cargo, que ele (Marconi) vai ficar doido nesse trem. Esse cara não tem jeito, não. Ele cada hora fala um trem, pô. Joga leve não. Joga pesado, não deixa barato esse trem não. Ele é desqualificado demais. Essa foi de pé no saco — explica Demóstenes, que se diz estupefato com as declarações de Marconi contra a Delta: — Tem que ter respeito né rapaz... esse cara... É maluco, né? Só pode... porque bêbado naquela hora da manhã não tava.

— A gente tem que explodir esse vigarista — responde o bicheiro.

Após a conversa, Cachoeira segue os passos de Demóstenes. Após duas audiências agendadas e desmarcadas, Marconi teria recebido Edvaldo no gabinete. Na saída, Edvaldo liga para Cachoeira:

— Me recebeu lá na salinha lá... Falou que houve um mal entendido aí, que não foi dessa forma (o discurso), e que quer falar é com você. (...) Ele quer falar com você quinta-feira. Ele quer só você e ele, na minha casa.

Mas, seguindo a orientação de Demóstenes de jogar duro, no dia 21 de julho Cachoeira manda Edvaldo informar que não poderá ir ao encontro:

— (Para o governador) sentir que tô contrariado.

Mais tarde, Cachoeira quer saber a reação de Marconi. Edvaldo responde:

— Ele quer falar com você. Que quer te atender, que gosta de você, tal e tal. Ele quer uma conversa ele e você.

Governador de Goiás nega compromisso com bicheiro

Por meio de sua assessoria de imprensa, o governador de Goiás, Marconi Perillo, afirmou que “nunca teve nenhum tipo de compromisso, com ele ou com quaisquer pessoas que não fosse de interesse público, e dentro de um projeto de governo em favor dos goianos e aprovado nas urnas numa disputa contra tudo e contra todos os poderosos de Goiás e do Brasil”.

Marconi Perillo ainda diz que “não confirma” os recados atribuídos a ele nas conversas entre Carlinhos Cachoeira e Edvaldo Cardoso, ex-presidente do Detran. “Essa pergunta deve ser endereçada ao senhor Edvaldo Cardoso”, diz a assessoria.

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