A planície de José Dirceu
Livro que chega hoje ao mercado, em So Paulo, traz reflexes polticas e econmicas de uma voz que no se deixou silenciar
Leonardo Attuch_247 – No dia 24 de agosto deste ano, na festa de lançamento do Brasília 247, o segundo jornal regional criado pela rede 247, convidamos ao palco, para que fizesse uma breve explanação, o jornalista e também deputado federal Emiliano José. Perseguido e preso na ditadura, Emiliano sempre foi uma referência ética do jornalismo brasileiro. Como parlamentar, ele hoje se destaca no debate sobre o marco regulatório da internet e das novas mídias. No palco, Emiliano destacou uma das qualidades do Brasil 247: o espaço plural, democrático e aberto a todos na nossa seção de opinião – e até às vozes que muitos gostariam de ver silenciadas para sempre.
Emiliano não deu nomes, mas era claro que se referia a alguns de nossos colunistas mais polêmicos, como o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Réu no processo do Mensalão, ele escreve artigos exclusivos para o 247, todas as sextas-feiras, desde o lançamento do jornal, em março deste ano. Dirceu é, sobretudo, disciplinado em relação aos compromissos que assume.
Quando o convidamos a escrever, assim como representantes de várias outras correntes políticas, sabíamos dos riscos que estávamos correndo. Primeiro, o risco do patrulhamento à direita, de muitos que não aceitam a diversidade de opiniões, antes mesmo de qualquer julgamento formal. Segundo, o risco do patrulhamento à esquerda, dentro do próprio PT, daqueles que enxergam supostas influências do ex-ministro, no nosso conteúdo editorial.
Nada disso pesou no nosso julgamento. Especialmente porque os benefícios de ter Dirceu como colunista superam, com folga, qualquer risco. Goste-se ou não do personagem, trata-se de uma figura central da política brasileira nos últimos quarenta anos. E que, tanto nos artigos que escreve aqui como em outros jornais (sim, ele também escreve em outros veículos), tem-se dedicado a refletir sobre o Brasil e o mundo, a partir de sua formação e de sua experiência política, que inclui erros e acertos.
Vários destes artigos estão reunidos na coletânea “Tempos de Planície” (Alameda, 382 páginas), a ser lançado nesta segunda-feira, em São Paulo, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional. Nele, há textos sobre reforma política, economia, infraestrutura, questões internacionais, como a crise atual, e também sobre temas mais espinhosos, como a própria regulação da mídia.
E o que se conclui da leitura das 382 páginas do livro é que o José Dirceu de hoje é essencialmente uma voz moderada, que não se deixou silenciar. E que terá sempre espaço aberto – assim como seus opositores – aqui no Brasil 247.