A queda?

Caso encerrado, dizem seus aliados; nada sob controle, apontam os fatos; o ministro Palocci segue no governo ou ser que j caiu e ainda no foi avisado?

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247 – Sexta-feira, 20 de maio. Um dia atípico em Brasília. A capital federal voltou aos velhos tempos em que a sexta era definida como “dia oficial do boato”. Data propícia para se apostar em quedas de ministros e reformas palacianas no fim de semana. Ou para se especular sobre a capa das revistas semanais de informação. No olho do furacão, o todo-poderoso ministro Antonio Palocci, que pode ter vivido nesta sexta suas horas finais no governo federal. Enquanto ele e seus assessores demonstravam certa tranquilidade, os fatos concretos apontavam que sua situação é bem mais delicada do que parece.

Pelas manchetes dos jornais, o dia até que começou equilibrado. De um lado, a Folha de S. Paulo revelou que a consultoria Projeto, de Antonio Palocci, faturou R$ 20 milhões em 2010, ano de eleições presidenciais, com clientes como a construtora WTorre e a operadora de saúde privada Amil (leia mais). E ainda que os pagamentos se concentraram nos últimos meses do ano, quando já se imaginava, portanto, que Palocci, coordenador da campanha de Dilma Rousseff, seria parte importante do futuro governo. De outro, o jornal O Globo praticamente retirou o assunto da primeira página – só uma charge do cartunista Chico Caruso abordou o tema. E o Estado de S. Paulo publicou um argumento de defesa de Palocci: o de que cláusulas de confidencialidade contratuais o impediriam de revelar os nomes de seus clientes. Zero a zero. Empate técnico.

Em Brasília e em São Paulo, assessores de Palocci, alguns do ministério e outros da empresa FSB, contratada para fazer a chamada “gestão da crise”, demonstravam tranquilidade. O grande temor do dia era o de que aparecesse alguma nota fiscal emitida pela Projeto contra algum de seus clientes. E ela, até agora, ainda não apareceu, apesar da confirmação feita por dois clientes – Wtorre e Amil - de que efetivamente contrataram Palocci para defender seus interesses. Os rumores envolveram praticamente todas as grandes operações fechadas nos últimos anos. Será que a fusão de Itaú e Unibanco contou com a benção de Palocci? Será que a associação do BTG Pactual com a Caixa Econômica Federal no Panamericano foi também abençoada pelo consultor mais caro do País?

Sem as confirmações, Palocci tentava transmitir tranquilidade. Ao longo do dia, recebeu demonstrações de apoio, como do vice-presidente Michel Temer. Mas o Palácio do Planalto emitiu sinais contraditórios. E houve quem sentisse cheiro de óleo quente na frigideira. Dilma chamou, para uma reunião secreta, ninguém menos que o ex-ministro da Comunicação, Franklin Martins, com quem se aconselhou (leia mais). Franklin, jornalista experiente e que foi também conselheiro do presidente Lula, não morre de amores por Palocci e fez uma leitura realista do quadro para a presidente Dilma. Segundo fontes palacianas, uma leitura nada positiva para a permanência de Palocci no cargo.

Outro sinal relevante foi a publicação da primeira revista a circular neste fim de semana. Carta Capital, a mais ligada ao PT e ao Palácio do Planalto (leia mais), pediu explicitamente a demissão de Palocci. “A sabedoria política recomenda que se corte o mal pela raiz”, dizia a revista. Naquele momento, assessores de Palocci passaram a desconfiar de que o fogo amigo talvez parta do próprio Palácio do Planalto.

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