A verdadeira ameaça à livre expressão do pensamento

A liberdade não está em risco quando se pede que uma publicação e alguns de seus jornalistas falem. Ela está ameaçada quando se tenta calar um veículo

Nos últimos dias, nossos leitores têm acompanhado o esforço que vem sendo feito pela equipe do Brasil 247 para continuar publicando informações relevantes, mesmo num cenário de extrema adversidade. Nos últimos dois dias, disponibilizamos 40 giga de informações relacionadas à Operação Monte Carlo, na nossa página no Facebook. No dia 27 de abril, já havíamos também antecipado, com exclusividade, o inquérito contra o senador Demóstenes Torres, enviado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, à CPI. Informações que, muitas vezes, contrariam interesses e forças poderosas da sociedade brasileira.

Como responsável direto pela publicação, compartilho com todos vocês – leitores, mas, sobretudo, amigos aqui no Facebook – as dificuldades que vêm sendo enfrentadas por nossa equipe e as soluções que já estão sendo encaminhadas. Tanto no tocante à infraestrutura, como também no que diz respeito à segurança. Nesta quarta-feira 9, registramos boletim de ocorrência na delegacia especializada em crimes eletrônicos da cidade de São Paulo para que se investigue a fundo o que está ocorrendo conosco. E pretendemos levantar as causas e apontar os responsáveis, custe o que custar.

É possível, sim, que tenhamos sofrido um ataque, como sugerem vários de nossos leitores. Afinal, a cada dia, o 247 se torna reconhecido como um espaço de liberdade plena onde todos os assuntos podem ser discutidos. Quem nos acompanha há mais tempo, especialmente o público de Goiás, sabe do papel que desempenhamos no escândalo Carlos Cachoeira. Fomos os primeiros a publicar, com coragem, informações que muitos veículos prefeririam manter sob o tapete.

Nossos leitores também sabem que, parafraseando a jornalista Suzana Singer, ombudsman da Folha de S. Paulo, não há temas proibidos no 247. Um deles é a relação entre jornalistas e donos de empresas de comunicação com suas fontes de informação. É curioso que nós, nascidos como veículo independente, tenhamos sofrido ataques, num momento em que o Brasil discute a liberdade de expressão.

A liberdade de um país não está em risco quando parlamentares de uma CPI ou setores da sociedade pedem que uma publicação e alguns de seus jornalistas venham a público e falem. Ela está ameaçada quando um veículo é obrigado a se calar. Uma sociedade livre discute todos os temas, inclusive o poder exercido pelos meios de comunicação. E os jornalistas deveriam ser os primeiros a defender um debate amplo, aberto, geral e irrestrito.

Por que estamos enfrentando esta situação? Que interesses foram contrariados? São perguntas ainda em aberto, mas que serão respondidas. O direcionamento temporário do nosso conteúdo para o Facebook, que sabemos ser menos eficiente e agradável do que a nossa página tradicional, foi uma solução de emergência adotada para que pudéssemos continuar fazendo o nosso trabalho, apesar das adversidades. Aos poucos, todo o serviço migrará para a página tradicional do 247, como já está ocorrendo, a partir de hoje.

Por maiores que sejam eventuais dificuldades, não nos calaremos, em hipótese alguma. Hoje, a rede de informações 247 já é um movimento. Envolve mais de 40 profissionais, mas também muitos de nossos leitores, que, na era do jornalismo 2.0, são também nossos colaboradores, dedicados à busca da verdade.

Nós não iremos desistir da nossa missão, que é informar, sem medo, sem censura e com total liberdade.

 

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