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Poder

Aécio, será que foi isso mesmo que vovô Tancredo ensinou?

O senador mineiro já está sem carteira de motorista; se ficar sem São Paulo, não chegará aonde quer

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Entre os que lidam com as coisas da política na imprensa, não muita gente de hoje conheceu o dr. Tancredo Neves (1910-1985). Eu conheci. Ele me recebeu, junto a outros colegas, em seu confortável apartamento na Avenida Atlântica, para falarmos dos notáveis que redigiam uma proposta de Constituinte. Corriam os inesquecíveis anos 80. Outra vez acompanhei uma homenagem ao dr. Ulysses Guimarães, no Copa, em que pude, naquele tumulto pré-Colégio Eleitoral, do qual Tancredo emergia como o maior superstar do Brasil, apertar a mão dele e trocar uma palavra veloz.

- Boa sorte amanhã em São Paulo, dr. Tancredo, disse eu, orgulhoso por pertencer aos quadros do Jornal do Brasil, quando ele apertou a minha mão, referindo-me ao comício que se daria na minha cidade natal logo no dia seguinte.

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E não é que, no meio da paparicação, cercado de atenções e puxas, o dr. Tancredo encontrou tempo me responder:

- Obrigado, meu filho, ele disse.

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Foi só isso, ali, mas não dá para esquecer. Uma frase, um aperto de mão, aquilo para mim foi uma profunda lição de educação e respeito por um jovem profissional. Eu que já era fã do Dr. Tacredo, fiquei ainda mais – o repórter político sabe que uma única palavra, vinda de uma fonte importante, vale ouro. Realmente, fiquei lisonjeado.

Mais tarde, em Brasília, acompanhei a tentativa do então deputado federal Aécio Neves, que, adianto, herdou a educação e a polidez do dr. Tancredo, todos sabem, de se eleger para a mesa da Câmara. O chamavam de Aecinho. Ele perdeu, mas depois, noutra eleição, deu um baile em todos os outros e virou, sim, presidente da Câmara. Governador de Minas duas vezes, elegeu-se senador carregando consigo, num gesto nobre, o ex-presidente Itamar Franco. Um banho. Ninguém mais ousa chamá-lo de Aecinho.

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Ainda assim, porém, Aécio não é tratado no mundo político por Dr. Aécio. Falta-lhe, sorte dele, idade, o que é muito bom. Mas talvez também se verifique em seu estilo de agir politicamente uma certa carência, para alcançar o título, de picardia.

Tome-se o episódio da Convenção Nacional do PSDB, encerrada sábado. Com a faca e o queijo da maioria partidária na mão, Aécio fez o que quis. O PSDB agora é dele. Parabéns! Mas precisava ser tão duro com São Paulo? Derrotar José Serra, deixando-lhe a consolação do tal conselho político, é compreensível. Com Serra é na base do matar ou morrer. Foi ele, Serra, quem estabeleceu esse tipo de comportamento por onde passou. E desde sempre, frise-se. Mas e quanto ao governador Geraldo Alckmin? Será que não faltou contemplá-lo com mais espaço para seus quadros no PSDB nacional? Não vale dizer que, escalando o também ex-governador Alberto Goldman como vice-presidente, Alckmin foi brindado. Isso, como diria o meu chapa corintiano Neto, seria “brincadeira”.

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A verdade é que Alckmin anda de jatinho, mas deixou a Convenção, como se diz, a pé. A aliança estratégica fechada por Aécio foi com os tucanos do Nordeste, justo lá onde Lula, que será o grande eleitor de 2014 ou o candidato favorito, se mostra imbatível. E bem onde Lula é mais fraco, São Paulo em que já perdeu em número de votos para Alckmin e Serra nas presidenciais, Aécio, agora sim, ficou sem pé. O PSDB, que era um partido paulista, virou abruptamente seu eixo para Brasília-Belô-Recife-Fortaleza. Essa estrada será capaz de levar Aécio ao lugar que ele quer chegar? Ele que está sem carteira de motorista e, pela maneira como agiu na Convenção, não parece questão de ter São Paulo ao seu lado?

Sei não. Pelo que me lembro do dr. Tancredo, um homem que fazia política “varrendo para dentro”, se o carinhoso e astuto vovô estivesse por aqui, o conselho a Aécio seria na linha de, urgentemente, reaproximar-se de Alckmin.

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