Ainda há tempo para virar o jogo eleitoral na TV?

Especialistas garantem que sim e que a maior exposição deve favorecer a polarização entre José Serra e Fernando Haddad; falta apenas combinar com Celso Russomano, que é um comunicador nato e tem quatro pontos de vantagem sobre o tucano, além de 23 a mais do que o petista

Ainda há tempo para virar o jogo eleitoral na TV?
Ainda há tempo para virar o jogo eleitoral na TV? (Foto: Edição/247)

247 – A conta é simples. São 45 dias de horário político, que começam nesta terça-feira, e Fernando Haddad, grande aposta do PT nas eleições municipais, terá que mostrar fôlego de Usain Bolt para chegar ao segundo turno. Hoje, 19 pontos o separam do tucano José Serra e 23 do líder Celso Russomano. Se Haddad conseguir tomar 10 pontos de Serra ou 12 de Russomano, conseguirá superá-los, passando para a rodada decisiva, em novembro.

É uma distância grande, mas que pode ser superada. O precedente é a eleição passada, de 2008, em que Gilberto Kassab começou o horário político também em terceiro lugar, com cerca de 8 pontos e que, com a exposição na televisão, conseguiu superar os rivais Marta Suplicy e Geraldo Alckmin.

Haddad tem sete minutos e meio e contará com um cabo eleitoral de peso: o ex-presidente Lula. Além disso, poderá usar imagens ao lado da presidente Dilma Rousseff, do tempo em que foi ministro da Educação. E terá como marqueteiro o habilidoso João Santana. “O programa irá mostrar quem eu sou, a qual governo servi e que projeto represento”, disse ele, numa entrevista recente ao 247. A estratégia de Haddad consiste, portanto, em identificá-lo com aqueles que são hoje os dois políticos mais populares do Brasil: Lula e Dilma.

Serra seguirá a mesma estratégia de eleições anteriores, trabalhando com seu marqueteiro de confiança, Luiz Gonzalez. Os filmes mostrarão realizações no governo de São Paulo e na prefeitura, como a construção do Rodoanel Sul e a ampliação das marginais, mas Serra pretende também nacionalizar a campanha. Estará sempre implícita a mensagem de que São Paulo deve resistir ao excesso de concentração de poder nas mãos do PT – um partido que, Serra lembrará no seu programa, se vê às voltas com o julgamento da Ação Penal 470.

Ocorre que nem um nem outro previam a surpreendente escalada de Russomano, que é um comunicador nato. Ex-repórter especializado em questões de direito do consumidor, o candidato do PRB fará sua campanha na sua própria produtora. Terá dois minutos e meio, mas é possível que Russomano saiba multiplicá-los. Amanhã, às 11 horas, sua capacidade oratória passará pelo primeiro teste de fogo: uma sabatina na Folha de S. Paulo. Tido como azarão, Russomano já assusta os favoritos.

 

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