Aliança entre PT e PMDB interessa aos dois lados
Análise é da jornalista Cristina Lôbo, da Globo; enquanto os petistas precisam dos peemedebistas para enfrentar o PSDB em São Paulo, o partido de Michel Temer precisa assegurar seu espaço no governo federal e numa futura chapa para a reeleição de Dilma
247 – Em artigo publicado nesta segunda-feira, em seu blog no portal G1, a jornalista Cristina Lôbo faz a seguinte análise: a aliança entre PT e PMDB interessa bastante aos dois lados nessas eleições. Ao PT, porque precisa do PMDB para enfrentar o PSDB em São Paulo, onde disputam Fernando Haddad e José Serra. O PMDB porque precisa garantir sua vaga de vice na chapa de 2014 da presidente Dilma Rousseff, hoje ocupada pelo presidente do partido, Michel Temer. A presidente e o vice tiveram uma conversa sobre isso já nesta segunda e o PMDB deve anunciar oficialmente nesta terça quem deve apoiar na capital paulista.
Ainda mais unidos
O vice-presidente Michel Temer desembarca nesta terça (9) em São Paulo para, ao lado de Gabriel Chalita, declarar o apoio do PMDB ao candidato do PT à prefeitura, Fernando Haddad.
Este será o primeiro exemplo da união entre PT e PMDB que deve ser fortalecida a partir de agora, conforme acerto feito na manhã desta segunda (8) entre a presidente Dilma Rousseff e Temer.
Na conversa, ficou acertado que, onde houver candidato do PT em disputa no segundo turno, o PMDB estará no mesmo palanque. E vale o contrário também: onde o PMDB estiver, o PT vai procurar retribuir o apoio que estará recebendo em São Paulo.
O PT disputa o segundo turno em seis capitais (São Paulo, Salvador, João Pessoa, Rio Branco, Fortaleza e Cuiabá) e o PMDB em duas (Campo Grande e Florianópolis).
Uma exceção é Salvador, onde o PT está no segundo turno, mas a principal liderança do PMDB é o ex-deputado Geddel Vieira Lima (PMDB), que já foi aliado do PT na Bahia, mas agora faz oposição ao governo local.
"O Geddel vai ser procurado para esta conversa, mas será de maneira cuidados e respeitosa. E ele é quem vai decidir o caminho a seguir", disse uma liderança do PMDB.
A necessidade de aproximação entre o PT e o PMDB foi detectada pelas lideranças dos dois partidos e, logo na manhã de hoje, a presidente Dilma Rousseff entrou em campo, numa conversa com Temer.
O PT precisa de aliados para enfrentar o PSDB em São Paulo; e o PMDB precisa assegurar seu espaço no governo federal e numa futura chapa para a reeleição de Dilma Rousseff.
Os dois vêem ameaça em Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, cujo partido obteve bom desempenho nas eleições de ontem (com as vitórias em Recife e também em Belo Horizonte, compartilhada com Aécio Neves).
Dilma vê em Eduardo Campos um potencial adversário para 2014; e o PMDB avalia que, se Eduardo Campos não sair candidato agora, vai querer a vaga que hoje é de Michel Temer como vice de Dilma.
Até aqui, a aliança dos dois partidos interessava muito mais ao PMDB, que está sempre no papel de coadjuvante e, ainda assim, corria riscos. Agora, é também de interesse do PT.
No encontro de hoje no Planalto, Dilma e Temer somaram o desempenho dos dois partidos na eleição municipal e concluíram que, juntos, os dois partidos governarão 1,7 mil cidades e obtiveram quase 35 milhões de votos. Uma força admirável.
