HOME > Poder

Alianças de Lula encolhem PT nas municipais de 2012

Partido ter candidatos prprios em apenas 11 das 27 capitais; em Porto Alegre, onde legenda pode apoiar Manuela Dvila, do PC do B, militantes protestam: sou PT, quero votar 13; Lula s pensa naquilo: Fernando Haddad em So Paulo

Evam Sena_247, em Brasília – A política de alianças comandada pelo ex-presidente Lula para as eleições municipais de 2012 pode enfraquecer o PT nos municípios e gera protestos de diretórios municipais do partido. Enquanto nas eleições de 2008, o PT teve 15 candidatos em capitais, a previsão para este é de somente 11 petistas encabeçando chapas.

O grande arco de alianças partidárias, iniciado no segundo mandato de Lula e reproduzido na eleição da presidente Dilma Rousseff, vai afetar também as eleições municipais. E o principal objetivo de Lula é agradar legendas aliadas para fortalecer o palanque do PT em São Paulo, onde o ex-presidente está investindo todas as suas forças. Nas eleições de 2010, o PT priorizou a eleição de Dilma e teve só dez candidatos a governador, menor número em sua história.

Pela estratégia, o PT não terá candidato próprio no Rio de Janeiro e vai indicar o vice na chapa para reeleição do prefeito Eduardo Paes (PMDB). Já em Porto Alegre, o partido deve apoiar Manuela D’Ávilla (PCdoB) ou o atual prefeito, José Fortunati (PDT). A ausência de candidato próprio na capital gaúcha, algo inédito desde a redemocratização, desagradou o diretório petista municipal, que lançou a campanha “Sou PT, quero votar 13”.

“Ao não ter candidatura própria em cidades como Porto Alegre, o PT corre o risco de reeditar na capital gaúcha o que aconteceu com o partido em capitais como Belo Horizonte e Rio de Janeiro, onde uma sequência de alianças discutíveis acabou por enfraquecer enormemente o partido”, avalia o deputado federal, Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre.

As negociações da cúpula petista incluem apoio até de antigos adversários, como Paulo Hartung (PMDB), em Vitória, e Gustavo Fruet (PSD), em Curitiba. Sem contar o próprio Fortunati, em Porto Alegre, e o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, que têm o apoio do PSDB.

A estratégia pode não ser útil a longo prazo para o PT, uma vez que ocupar prefeituras é importante para aumentar a capilaridade do partido. Os petistas vão na contramão dos grandes partidos, como PSDB e PMDB que querem o maior número de candidatura própria, principalmente em capitais. Ao priorizar São Paulo, o PT pode amargar a perda de votos em outras grandes cidades, onde o partido geralmente não vai tão bem quanto no interior.