Alvo da Lava Jato, empresa de Eunício já havia sido investigada pela PF
Um dos alvos da operação Lava Jato na manhã de ontem, a empresa a Confederal Vigilância e Transporte de Valores já havia sido investigada pela Polícia Federal em 2014; embora o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirme que se afastou em 1998 da administração da Confederal Vigilância e Transporte de Valores, ele figurou como sócio majoritário da empresa até setembro de 2013; em 2014, a Confederal doou para o diretório do PMDB do Ceará R$ 650 mil, dos quais R$ 629,2 mil foram para a candidatura de Eunício, de acordo com registro no Tribunal Superior Eleitoral
247 - Embora o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), afirme que se afastou em 1998 da administração da Confederal Vigilância e Transporte de Valores, ele figurou como sócio majoritário da empresa até setembro de 2013. A empresa foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta terça-feira (21), na Operação Satélites, a primeira da Lava Jato baseada nas delações de executivos da Odebrecht.
As informações são de reportagem de Reynaldo Turollo Jr na Folha de S.Paulo.
"A assessoria de Eunício afirma que ele está afastado da administração da Confederal desde 1998, quando se elegeu deputado federal pela primeira vez.
Uma das razões para o afastamento seria o artigo 54 da Constituição, que proíbe que deputados e senadores sejam sócios de empresas que tenham contratos com o governo. A Confederal, assim como outras firmas ligadas a Eunício, mantém contratos milionários com a União.
De 2010, quando Eunício elegeu-se senador, a 2017, a Confederal recebeu de contratos com a administração direta federal R$ 237,7 milhões.
Conforme registros na Junta Comercial do Distrito Federal, Eunício e sua mulher, Mônica, eram os únicos sócios da Confederal até 14 de dezembro de 2004, quando ela deixou a sociedade cedendo suas cotas (3,81%) para o marido e para Ricardo Lopes Augusto, sobrinho do senador.
Dias antes, em 2 de dezembro de 2004, a Confederal havia sido alvo da Operação Sentinela, da PF, que prendeu um gerente da firma sob suspeita de integrar um cartel que fraudava licitações. À época, Eunício era ministro das Comunicações do governo Lula.
Somente em setembro de 2013 Eunício saiu da sociedade da Confederal, transferindo suas cotas para a Remmo Participações S.A., uma holding cujos únicos acionistas são ele e o filho, Rodrigo.
Hoje, são formalmente donos da Confederal o sobrinho de Eunício, Ricardo Augusto (com 1,7% de participação), e a Remmo (com 98,3%).
Ricardo Augusto é citado como intermediário de repasses destinados ao tio por dois delatores: Cláudio Melo Filho, ex-executivo da Odebrecht (R$ 2,1 milhões), e Nelson Mello, ex-diretor da Hypermarcas (R$ 5 milhões).
Os repasses teriam sido feitos entre 2013 e 2014 –ano em que Eunício disputou o governo do Ceará e perdeu.
Em 2014, a Confederal doou para o diretório do PMDB do Ceará R$ 650 mil, dos quais R$ 629,2 mil foram para a candidatura de Eunício, de acordo com registro no Tribunal Superior Eleitoral."