"Apostas são que Temer não termina o mandato", diz senadora

Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) avaliou que o aprofundamento da recessão econômica, a crise institucional e as investidas da Lava Jato tornam o governo Michel Temer (PMDB) ainda mais frágil do que foi o de Dilma Rousseff (PT); "Hoje, eu diria que 70 a 80% das apostas são que ele não conseguirá terminar seu mandato." A única diferença que ele mantém em relação ao governo Dilma é que ele ainda tem apoio do Parlamento. Mas esse é um apoio que não é sólido, é esponjoso, está para escapar porque as pessoas começam a questionar os parlamentares sobre o que está acontecendo, porque o Brasil não está melhorando", observa a parlamentar

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa extraordinária. Em discurso, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa extraordinária. Em discurso, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado (Foto: Paulo Emílio)

Do GGNA senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) avaliou, em entrevista exclusiva ao GGN, que o aprofundamento da recessão econômica, a crise entre instituições e as investidas da Lava Jato são fatores que tornam o governo Michel Temer (PMDB) ainda mais frágil do que foi o de Dilma Rousseff (PT), afastada após um questionável processo de impeachment. "Hoje, eu diria que 70 a 80% das apostas são que ele não conseguirá terminar seu mandato."

Segundo Grazziotin, as forças que "aplicaram o golpe no Brasil" justificaram essa medida com a promessa de dar ao povo um "país em paz, que rapidamente superaria a crise econômica". Mas esses seis meses iniciais de governo Temer apontam, na verdade, para um "país completamente conflagrado".

"A única diferença que ele mantém em relação ao governo Dilma é que ele ainda tem apoio do Parlamento. Mas esse é um apoio que não é sólido, é esponjoso, está para escapar porque as pessoas começam a questionar os parlamentares sobre o que está acontecendo, porque o Brasil não está melhorando."

Em paralelo às frustrações na economia está o risco de as delações da Odebrecht, já acertadas com a força-tarefa da Lava Jato, atingir em cheio o "epicentro do governo Temer", dando mais corpo à criação de uma tempestade perfeita, que pode levar à queda do peemedebista.

Para a senadora, o que tem mantido o governo com o mínimo de estabilidade é o apoio que Temer tem do Congresso e de aliados como o PSDB. "O PMDB precisa do PSDB, tanto que FHC estava defendendo ampliação do PSDB dentro do governo. Se eles pularem do barco, será um passo para a destruição total do governo Temer."

Na visão de Grazziotin, a questão é que parte do tucanato já receia que Temer não tenha condições de entregar todas as reformas impopulares que esperam dele. "Se o governo também não consegue recuperar a economia, é normal que os aliados dêem marcha ré. É o que começamos a ver."

"O PSDB apoiou a ida de Temer à Presidência para que ele fizesse as medidas impopulares, o jogo sujo, para limpar o campo para eles. Mas ele não está conseguindo fazer isso, Temer não está conseguindo limpar o campo. Está afundando. E eu creio que há p temor de que o PSDB afunde junto. Eles estão reavaliando o jogo. Significa preparar o golpe dentro do golpe. Antecipar aquilo que eles haviam planejado para 2018."

Segundo a senadora, a Lava Jato avançar contra o Congresso, que é o principal pilar de Temer, é um grande fator de risco não só para o atual governo, mas também para a democracia. "Por pior que seja, o Parlamento é imprescindível para o processo democrático. Se tirar isso, vai sobrar o Estado de Exceção. A gente vive a iminência de voltar a ter períodos de repressão", ponderou.

Segundo ela, a solução para a crise instaurada a partir da eventual saída de Temer seria um pacto por eleições diretas, algo que deveria ter ocorrido após o impeachment de Dilma, opinou. "[Eleição] indireta, nem pensar!"

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