As prováveis candidaturas múltiplas

A tese de múltiplas candidaturas da frente popular de Pernambuco à Prefeitura do Recife, nas eleições do próximo ano, foi defendida, pela primeira vez, pelo deputado federal Silvio Costa (PTB)

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A tese de múltiplas candidaturas da Frente Popular de Pernambuco à Prefeitura do Recife, nas eleições do próximo ano, foi defendida, pela primeira vez, pelo deputado federal Silvio Costa (PTB), há mais ou menos quatro meses. O parlamentar entendia que o prefeito da capital pernambucana, João da Costa (PT), não seria capaz de reverter as dificuldades políticas e administrativas que cercam a sua gestão. Na ocasião, ninguém da coalização, capitaneada pelo governador Eduardo Campos (PSB), concordou, pelo menos publicamente, com o petebista. Todos os integrantes da Frente diziam que a unidade seria fundamental para o sucesso do campo governista no pleito em questão. O tempo passou e o discurso, que parecia isolado, ganhou corpo e defensores. Mas teria substância ou seria apenas uma desculpa para pular de um barco que pode afundar?

O próprio PSB, que detém a vice-prefeitura, fez a principal movimentação nesse sentido: a transferência do domicílio eleitoral do ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), de Petrolina para a capital pernambucana. O socialista aportou de cabeça no Recife, deixando claro que não estava blefando ao defender sua candidatura ao principal posto da cidade. Fernando, sempre que perguntado sobre a viabilidade de sua postulação, ressalta que, em 2006, o governador Eduardo Campos e o senador Humberto Costa (PT) encabeçaram as duas candidaturas do campo pelo Governo do Estado. Contudo, Coelho não lembra que os aliados disputaram contra o então governador Mendonça Filho (DEM), não destaca que os dois estavam na oposição.

A estratégia de múltiplas candidaturas de um mesmo campo também foi utilizada, em âmbito nacional, em 2002. O ex-presidente Lula (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes disputaram o Planalto contra o candidato do então presidente Fernando Henrique (PSDB), José Serra (PSDB). No mesmo episódio, os “aliados” estavam fora do Poder. Então, por que, no Recife, com o comando do governo, a Frente teria que se dividir em candidaturas distintas? Talvez para forçar a troca, por parte do PT, do prefeito João da Costa por um candidato com mais aderência popular, como o senador Humberto Costa ou o próprio deputado federal João Paulo, desafeto do chefe do Executivo municipal.

Há ainda, nos bastidores, o entendimento de que as movimentações do ministro Fernando Bezerra Coelho e do PTB - que entregou, no começo do ano, os cargos que possuía na gestão João da Costa – são ações preliminares da disputa eleitoral de 2014. O petebistas sonham emplacar o seu presidente regional, senador Armando Monteiro Neto, governador de Pernambuco. Mas, para isso, precisam reforçar a legenda na capital. Uma candidatura à Prefeitura do Recife é vista como um passo importante nesse sentido. O deputado estadual Silvio Costa Filho é o mais cotado para a missão. Já, no caso do PSB, sempre se fala no futuro voo nacional do governador Eduardo Campos, que, para muitos, estaria atrelado a um provável descolamento do PT. O socialista, claro, nega.

Independente do argumento apresentado, há o sentimento, entre os integrantes da Frente Popular, de que a manutenção da candidatura à reeleição do prefeito João da Costa está longe de ser a primeira opção do campo governista. A sua substituição, no entanto, precisaria ser muito bem explicada para não gerar prejuízo. Por isso, a estratégia de múltiplas candidaturas da coalização, mesmo que sem o discurso afinado, pode ser testada nas urnas. Nesse caso, Fernando Bezerra Coelho entra no páreo.

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