Bebetto Haddad ao 247: “Temer destruiu o PMDB”

Em entrevista ao 247, o ex-deputado conta em detalhes como o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, com a ajuda do então ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o pressionou para entregar a presidência do PMDB de São Paulo ao cristão-novo Gabriel Chalita, o que resultou, segundo ele, na destruição do partido na capital; amigo de Temer há trinta anos, ele afirma categoricamente que não votaria nele para presidente "porque seria trocar seis por meia dúzia"; diz, também, que o rompimento com o governo, além de precipitado, foi um erro e mais ajudou que atrapalhou a presidente Dilma; "O impeachment não passa na Câmara", assegura

Em entrevista ao 247, o ex-deputado conta em detalhes como o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, com a ajuda do então ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o pressionou para entregar a presidência do PMDB de São Paulo ao cristão-novo Gabriel Chalita, o que resultou, segundo ele, na destruição do partido na capital; amigo de Temer há trinta anos, ele afirma categoricamente que não votaria nele para presidente "porque seria trocar seis por meia dúzia"; diz, também, que o rompimento com o governo, além de precipitado, foi um erro e mais ajudou que atrapalhou a presidente Dilma; "O impeachment não passa na Câmara", assegura
Em entrevista ao 247, o ex-deputado conta em detalhes como o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, com a ajuda do então ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o pressionou para entregar a presidência do PMDB de São Paulo ao cristão-novo Gabriel Chalita, o que resultou, segundo ele, na destruição do partido na capital; amigo de Temer há trinta anos, ele afirma categoricamente que não votaria nele para presidente "porque seria trocar seis por meia dúzia"; diz, também, que o rompimento com o governo, além de precipitado, foi um erro e mais ajudou que atrapalhou a presidente Dilma; "O impeachment não passa na Câmara", assegura (Foto: Gisele Federicce)

Por Alex Solnik, ao 247 - Nessa entrevista exclusiva ao 247, o ex-deputado federal Bebetto Haddad conta em detalhes como o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, com a ajuda do então ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o pressionou para entregar a presidência do PMDB de São Paulo ao cristão-novo Gabriel Chalita, o que resultou na destruição do partido na capital.

Amigo de Temer há trinta anos ele afirma categoricamente que não votaria nele para presidente da República "porque seria trocar seis por meia dúzia". Diz, também, que o rompimento com o governo, além de precipitado, foi um erro e mais ajudou que atrapalhou a presidente Dilma. "O impeachment não passa na Câmara", assegura, "porque não é o governo que precisa de 171 votos e sim a oposição é que precisa colocar 342 deputados lá dentro".

Bebetto Haddad atribui a baixa representatividade e a falta de liderança "aos deputados de um voto só", eleitos por um bispo de uma igreja e não por eleitores de verdade, que estão lá exclusivamente para obedecê-lo. E não aos que votaram nele. Edir Macedo, o mais bem-sucedido em eleger pastores obedientes já teve ambição de ser presidente da República, conta ele, como demonstrou ao descalçar os sapatos na cerimônia de posse do presidente Collor. Para apoiar o então candidato do PRN, Macedo fez um só pedido. Mas não foi atendido.

Quando você conheceu Michel Temer?

Conheci Michel Temer na época em que nós fazíamos política juntos no PMDB. O partido se dividia muito entre Quércia e Michel, uma hora o grupo do Michel, outra hora o grupo do Quércia no comando. Eu me dava bem com os dois grupos. Sempre convivi muito bem. Mas, como eu vim para o partido a pedido do Quércia eu era mais ligado, naturalmente, ao Quércia. Mas, depois da morte de Quércia fiquei ligado ao Michel. Eu era presidente municipal de São Paulo. Com a entrada do Gabriel Chalita no partido o Michel pediu que seria muito importante para ele que o Chalita fosse o presidente do partido. Me deu a impressão que o Chalita exigiu isso dele para vir para o PMDB. Eu tentei segurar isso, mas o presidente do diretório estadual, Baleia Rossi, que foi eleito porque o pai dele pediu para que eu ajudasse apoiou a ideia.

Como você ajudou a eleger Baleia presidente estadual do PMDB?

O pai dele, Wagner Rossi veio almoçar comigo no "Massimo" quando era ministro e me disse que veio especialmente me trazer um pedido de pai. Não era um pedido de companheiro político, era um pedido de pai. O sonho dele era ver o Baleia presidente do partido mais que o Baleia ser deputado. Eu disse para ele que tinha o Caruso, que também tinha muita vontade e que também era companheiro. Eu tinha o controle total do diretório de São Paulo que tinha mais de 50% dos votos do estado, passava pela capital a eleição de qualquer presidente estadual. Mas ele me disse que havia conversado isso com Michel, e que era uma vontade também do Michel. Michel me confirmou isso, porque depois eu conversei com ele e acabamos elegendo o Baleia com o compromisso de que jamais seria mexido o diretório da capital. Esse foi o compromisso. Nada mais do que isso.

O compromisso foi cumprido?

No advento da vinda do Chalita eles me forçaram, mesmo com esse compromisso, a entregar o partido ao Chalita. Eu defendia que o Chalita podia ser candidato a prefeito, mas não precisava dominar o partido. Mas, mesmo assim, não foi o suficiente, eu não sei porque, talvez por desconfiança, porque eu estava no governo Kassab e o Kassab me disse que odeia o Chalita (e o Chalita também odeia o Kassab), então havia desconfiança de que eu pudesse fazer alguma coisa contra ele, para que ele não fosse o candidato do PMDB a prefeito.

Como você foi pressionado?

Wagner Rossi veio por duas vezes falar comigo, em nome do Michel, fez questão de frisar mais de uma vez, de que eu deveria entregar o partido para o Chalita ser o presidente do partido. E nem legalmente era possível fazer isso naquele momento porque o Chalita não participava do diretório, por isso não poderia ser nomeado presidente. A insistência do Wagner levou a uma discussão séria com ele, eu defendendo uma posição e ele defendendo outra, chegamos a levantar a voz um para o outro e, na segunda vez em que ele tentou falar comigo eu perguntei qual era o assunto do então ministro da Agricultura, ele disse "estou indo para São Paulo e quero almoçar com você", "por que?, você quer falar o que?" perguntei, "não, quero falar com você sobre a questão do partido", eu disse "então não venha, porque eu não vou almoçar com você, esse assunto eu não falo com você". "Não, mas foi o Michel que mandou falar com você". "Então que o Michel venha falar comigo". De fato, o Michel veio falar comigo, à noite, no escritório dele. Estava eu, o Jarbas, o Baleia, o Caruso, o Arlon e o Wagner Rossi. E aí houve uma discussão muito forte minha com Wagner Rossi mais uma vez, na presença de todo mundo. Num momento de intervalo, o Michel virou para mim e disse: "Bebetto, nós somos amigos há 30 anos, fazemos política há trinta anos... sabe quando se joga uma pedra no lago e se forma uma roda, outra roda, outra roda?, você sempre esteve comigo aqui na primeira roda. Se você não fizer isso que eu estou te pedindo você vai me levar à maior derrota política da minha vida". Eu falei: "Michel, não faz uma coisa dessa..." "Você me levará à maior derrota política da minha vida". E repetiu a frase mais uma vez. Falei: "Michel, se é tão importante para você isso eu não tenho como negar. Eu não quero ser o responsável por uma derrota dessas. Eu vou convocar o partido". A única forma de entregar o partido ao Chalita era pedir para que todos do diretório renunciassem, o partido deixasse de existir, e aí a comissão estadual nomearia uma comissão provisória com a presidência do Chalita.

Quer dizer que o Michel destruiu o PMDB de São Paulo?

Destruiu o PMDB de São Paulo. O Chalita assumiu a presidência. Fizemos a primeira reunião, já presidida pelo Chalita, eu estava na comissão provisória também a pedido do Michel – aliás, na festa de filiação do Chalita, na Assembleia Legislativa, o Wagner Rossi me cobriu de elogios, lembrou aquilo que eu fiz para o filho dele... a gratidão só apareceu depois que eu entreguei o partido. Como eu dizia, na primeira reunião presidida pelo Chalita, no escritório do Yunes, estava lá toda a comissão provisória. Eu e o Joogi Hato chegamos dez ou quinze minutos atrasados. O Chalita já estava na sala. O Chalita falou: "É a última vez que eu vou aceitar atraso de qualquer membro da comissão provisória"! Eu pedi desculpas. Ele fez a reunião, não disse nada com nada e marcou outra reunião para a semana seguinte. Na qual ele chegou duas horas atrasado. Pediu desculpas, todo mundo o desculpou, obviamente. Na terceira reunião que ele marcou ele não veio. E nunca mais houve reunião no partido. Essa foi a história do partido. O partido se destruiu em São Paulo, hoje o partido basicamente não existe, porque as pessoas que estão lá são pessoas que participaram das convenções sem nem saber que participaram e nem sei quem dirige o partido na capital, me parece que ainda é o Chalita, mas agora ele mudou de partido, então já não é mais. O partido, então, mudou, realmente. O partido, que lembrava o MDB, já não lembra mais. Nem aqui na capital, nem no estado. Eu tive uma conversa... minha convivência com Michel sempre foi muito cordial, de amigos, eu sempre fui muito bem tratado pelo Michel e sempre tratei o Michel com todo o respeito, tanto é que eu dei para ele aquilo que ele me pediu, o partido era meu, eu conquistei com os votos da base do partido.

Foi você que construiu?

Eu construí o partido, eu não fui ajudado pelo Quércia nem por ele para chegar à presidência do partido. Cheguei pela base, pelo voto direto, numa disputa com o vereador Milton Leite a qual venci. E assumi o partido. Então, o partido era meu. Eles não conseguiriam fazer intervenção no municipal nem com o nacional e nem com o estadual. Eu dei o partido que era meu, que eu construí, ao Michel. Não sei o que seria essa tão grande derrota política a que Michel se referiu ao me pedir o partido. No final, quem pagou a conta fui eu.

O que você achou dessa tática do Michel de abandonar o governo e ele continuar vice? Isso vai levar também à destruição do PMDB nacional?

Não vai levar à destruição do PMDB nacional porque o PMDB nacional já está destruído. É difícil destruir uma coisa duas vezes. Eu acho que essa atitude deles de abandonar o governo foi absolutamente precipitada. Eu concordo com o Renan. E veja só: ele abandona o governo, mas de fato não abandona. Porque está todo mundo querendo ficar, de fato. Esse processo de impeachment eu vivi no tempo do Collor. É um processo muito delicado, muito difícil. Porque quem está na berlinda, no caso o governo Dilma, ele é... é muito difícil avaliar a fidelidade de qualquer companheiro seu, mesmo o mais próximo. Eu votei contra o impeachment do Fernando Collor. E eu me lembro que eu estava numa reunião na qual nós estávamos fazendo a lista de quem iria votar contra o impeachment. E o discurso naquela época era o mesmo. Fazíamos a lista. Fulano... vai votar contra ou a favor? A pessoa que estava fazendo a lista disse "claro que eu vou votar a favor do Collor". E esse que estava fazendo a lista atravessou o plenário e votou contra Collor, em nome da família, não sei que.

O governo perdeu muito com a saída do PMDB?

Essa atitude do PMDB de abandonar o governo favoreceu um pouco o governo, eu acho que o governo está melhor, hoje, em termos de posição contra o impeachment do que antes do rompimento do PMDB. Eu, particularmente, não acredito que esse impeachment passe na Câmara, até porque o governo não precisa ter 171 votos; basta que não haja 342 deputados no plenário. Então, cada ausência é um voto a favor do governo. As ausências são diversas: pessoas quebram o pé... a mãe adoece...o filho teve dor de barriga... uma dor de cabeça muito grande... perde avião... acaba a gasolina do carro.... fura o pneu... tudo isso aí é voto a favor do governo.

O impeachment não passa?

O impeachment não passa na Câmara. Se isso é bom ou ruim eu não sei. O que eu sei é que o Brasil precisa melhorar. O momento agora deveria ser de unidade e não de desagregação. E o fato de o PMDB ter saído é como se tivesse dizendo o seguinte para o governo: você está fraco, eu vou deixar você morrer mesmo que eu morra junto. Então, é uma coisa difícil de você acreditar, você, fazendo parte do mesmo corpo, você é tão brasileiro quanto eu, eu vou deixar você morrer mesmo sabendo que o meu Brasil vai morrer. O partido é muito grande, tem uma responsabilidade muito grande. E os líderes ali são muito inteligentes para não dizer espertos. Então, sabem o que estão fazendo. Mas, obviamente, ali no meio tem gente que tem bom senso.

Por que o Michel embarcou nessa canoa furada? Falta de habilidade?

Não sei, o Michel tem muita vontade de ser presidente. Um dia ele me disse que gostava muito de ser vice-presidente. Mas agora eu acho que está com muita vontade de ser presidente. É normal, é natural que uma pessoa com a posição dele queira, vamos dizer ser presidente da República porque, afinal de contas ele é o primeiro na linha de sucessão. Mas às vezes você faz um movimento precipitado que em vez de ajudar, atrapalha. Eu me lembro que na época do Itamar ele ficou quieto, ele deixou o governo cair no colo. Depois que caiu no colo ele se movimentou. Então, às vezes, você empurra o bêbado pensando que o bêbado vai cair, mas o bêbado sai correndo e chega primeiro que você! Às vezes você deve segurar e não empurrar o bêbado achando que o bêbado vai cair. Então, o bêbado não caiu, pelo jeito, saiu correndo. Eu acho que o Michel é muito inteligente, muito habilidoso, tem toda a capacidade política do mundo, mas às vezes erra e talvez ele tenha errado nesse momento aí. Se foi ele que forçou a barra para o rompimento do PMDB, acho que ele errou. Mas vamos torcer para que a gente consiga chegar no melhor.

Você votaria em Temer para presidente da República?

Não, não votaria, não. Eu não votaria nele para presidente da República porque eu acho que o Brasil precisa realmente mudar por completo. As pessoas que estão hoje aí, como disse o ministro Barroso – "é essa a nossa alternativa de poder"? – eu acho que o poder tem que ter alternativa, você tem que mudar o governo. E o Congresso também. A gente vê uma porção de deputados na Câmara Federal sem voto. Porque o pastor que está lá, o voto não é dele, o voto é do líder da igreja. Ou do bispo. Se o bispo disser à igreja "olha, o Alex não é bom mais, ele não serve mais aos nossos propósitos", muitas vezes usa até o nome de Deus e de Jesus, que foi dessa forma que foi orientado, então o Alex não serve mais para ser nosso deputado, o Alex está fora. Mas se Jesus mandar votar no Alex, o Alex será deputado federal de novo. O Alex tem algum voto? Representa alguém? Não, não representa ninguém, ou melhor, representa uma só pessoa, que é o líder da igreja. Não representa o povo, nem o povo da igreja porque o povo da igreja votou naquele em quem foi obrigado a votar. Não é uma escolha espontânea. Então, você tem na Câmara um monte de pastores. Você tem alguns sindicalistas que usam a máquina do sindicato. Outros que compram a eleição porque gastam muito, pelo menos do passado, agora não sei como vai ficar. A representatividade na Câmara é de muito má qualidade. O povo não está representado. Um deputado da Zona Leste de São Paulo, embora seja da Zona Leste, não representa o povo da Zona Leste e sim o pastor da igreja dele. Então ele é, na realidade, deputado de um voto só. Ou de dois, com o dele. Essa má qualidade impera hoje no Congresso Nacional. Principalmente na Câmara dos Deputados. Não há condições nem de rachar partido. Não existe um líder que diz: "vamos"! Não há líderes como existia um Ulysses Guimarães, um Brizola, um Darcy Ribeiro para dizer "vamos, que agora nosso propósito é outro". Você diz "vamos" e ninguém vem. Por que foi por aclamação a decisão do PMDB? Porque se fosse por voto ia mostrar que o partido está rachado. Por aclamação é assim: "fique de pé quem concorda". Já está todo mundo de pé! Agora, se for pelo caminho "eu voto sim", "eu voto não" iria mostrar que o partido está dividido. Não sei qual foi o propósito, mas se o propósito foi, realmente, liquidar o governo que está aí e o PMDB ser a alternativa eu acho que eles, ao contrário, deram um passo para trás.

Você acha que as novas amizades atrapalharam o Michel? Agora ele é muito amigo do Eduardo Cunha.

Olha, o Michel é muito grande para receber conselho do Eduardo Cunha. O Michel é amigo de todo mundo do PMDB. Foi o movimento de um grupo que achou que tinha chegado a vez dele e errou, errou o timing. Não era agora, não era dessa forma. Principalmente porque toda a sociedade sabe que o Brasil está perdendo muito. Quando uma padaria está indo mal, por exemplo, o dono vende a padaria e o novo dono coloca uma faixa lá "sob nova direção", e aí até você que não gostava do pãozinho vai lá experimentar se o pãozinho melhorou. Mas se a padaria não mudou, porque saiu o pai e entrou o filho, ou saiu o marido e entrou a mulher, não mudou nada. Não adianta trocar seis por meia dúzia. A população brasileira sabe disso, que não vale a pena. Esse movimento de rua não é um movimento apaixonado. "Eu quero o Michel presidente". Não, eles querem mudar, porque está ruim. Querem derrubar. Mas eles não enxergam uma alternativa. Eu, pelo menos, não enxergo. Eu não fui ao movimento de rua, porque acho que todo movimento de rua sem massa, sem organização é usado, de alguma forma, em benefício de alguém que a gente não sabe.

E a rejeição do Michel está maior que a da Dilma!

Mas, eu não consigo lembrar, hoje, o nome de algum político que não tenha uma rejeição alta. Não é só a Dilma, não é só Michel. Você vê o Ciro Gomes, que é totalmente apático, com uma rejeição alta. O Serra, que é um grande técnico, com uma rejeição alta. Por que? Porque você não tem mais aquele líder em quem você confia. Esse caminho que ele está propondo é o melhor caminho. A rejeição de todos é muito grande. Isso é muito ruim porque a rejeição recai sobre a política. E a rejeição não pode recair sobre a política, ela tem que recair sobre os políticos. Porque nós nunca vamos conseguir viver sem a política. Então, quando você começa a rejeitar todo mundo você começa a rejeitar a política. Isso é muito ruim porque você não consegue construir a democracia dessa forma. Vai ter golpe? Não vai ter golpe. Mas você não vai ter bons políticos porque você não formou quadros. E isso começa com o deputado que tem dois votos, o dele e o do pastor. Isso não forma quadros. Para você formar quadros você tem que ter debates na sociedade. O Brasil já teve isso aí há vinte anos e perdeu. Nós regredimos mais de vinte anos! E se você disser "vamos eliminar os maus políticos" você vai eliminar 90%.

Você acha que foi Edir Macedo que começou esse movimento da igreja se meter em política? Ele tem ambições políticas?

Eu creio que hoje ele não tem mais. Lá no passado, quando Collor se elegeu eu fui na posse junto com ele. Ele tirou o sapato e ficou descalço no saguão. Eu perguntei: o que é isso, bispo? Ele disse: quando a gente quer muito alguma coisa tem que colocar o pé. Falei: mas o senhor tem vontade de ser presidente da República? Ele não disse nem que sim, nem que não. Ele é, obviamente, uma pessoa capaz, muito capaz, mas não sei se seria capaz para ser presidente. Antes dele houve pastores na política. Ele fez de uma forma mais organizada, fundou um partido, tem massa em todos os estados, começou a eleger pessoas que foram para a Câmara obedecer. Mas é difícil ter pessoas que aceitam ser eleitas e irem para lá para obedecer a uma pessoa.

O que Edir Macedo pediu para apoiar a eleição de Collor?

Olha, ele não pediu nada, eu sou testemunha disso, absolutamente nada, ele pediu só uma coisa, que era fazer a oração da posse do Collor. E o Collor não pôde dar isso para ele. O Collor achava que podia dar, eu acho que ele foi muito pressionado, até tentou, mas acho que ele foi muito pressionado por todos os líderes do governo e da Igreja Católica para não deixar que o Edir Macedo fizesse a oração da posse.

O que vai acontecer daqui para a frente?

Eu acho que o governo vai se manter, o Brasil vai ter dificuldades para sair desse atoleiro econômico, mas vai sair. Como dizia o Brizola: o Brasil é muito grande para quebrar.

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