Bolsonaro sonha colocar nas Minas e Energia político do DEM que entregou pré-sal

Vai se descortinando o verdadeiro motor econômico e geopolítico da candidatura Jair Bolsonaro, que é uma radicalização do projeto do golpe de 2016: a entrega definitiva do pré-sal para as petroleiras estrangeiras; nos bastidores da campanha, José Carlos Aleluia (DEM-BA) é dado como nome certo para o Ministério das Minas e Energia em caso de vitória bolsonarista; ele é um conhecido lobista das petroleiras e esteve no centro da articulação para a entrega do pré-sal, ao lado de José Serra, nas semanas que antecederam o golpe de 2016

Bolsonaro sonha colocar nas Minas e Energia político do DEM que entregou pré-sal
Bolsonaro sonha colocar nas Minas e Energia político do DEM que entregou pré-sal

247 com Leila Coimbra, da Agência iNFRA - Vai se descortinando o verdadeiro moto econômico e geopolítico da candidatura Jair Bolsonaro, que é uma radicalização do projeto do golpe de 2016: a entrega definitiva do pré-sal para as petroleiras estrangeiras, em especial as americanas. Nos bastidores da campanha, é dado como nome certo para o Ministério das Minas e Energia o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) em caso de vitória bolsonarista. Aleluia é um conhecido lobista das petroleiras e esteve no centro da articulação para a entrega do pré-sal, ao lado de José Serra, nas semanas que antecederam o golpe de 2016. 

Leia a reportagem de Leila Coimbra:

As articulações políticas em Brasília se intensificaram nos últimos dias, com a proximidade da definição do segundo turno eleitoral, e nomes para comandar ministérios no caso de uma possível vitória de Jair Bolsonaro (PSL) no próximo domingo estão sendo listados.

Para a pasta de Minas e Energia, há uma composição sendo trabalhada em torno do DEM, partido do agora homem forte de Bolsonaro – e provável futuro ministro da Casa Civil –, deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS). Se na barganha couber ao DEM a indicação ao MME, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) é um dos mais cotados para o cargo, disseram políticos gabaritados à Agência iNFRA.

Lorenzoni vem articulando a ampliação da base governista no Congresso, para garantir a aprovação dos projetos de interesse do Planalto nas votações na Câmara e Senado com certa tranquilidade, no caso da vitória de Bolsonaro nas urnas.

E os movimentos feitos nesta semana dentro da articulação política foram de aproximação entre o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Jair Bolsonaro. O PSL, partido do capitão, e dono da maior bancada da Câmara a partir de 2019, com 56 deputados, chegou a pleitear a presidência da Casa. Mas Bolsonaro acenou que não apoiará a medida, dando um afago a Maia.

O apoio do "Centrão" à base governista é essencial para um governo que pretende enviar reformas ao Congresso, como quer Bolsonaro. O grupo é formado por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade e no seu auge chegou a ter 220 deputados (mais de 40% do total da Casa).

Em troca do apoio, o capitão sustentaria a candidatura de Maia para um novo mandato como presidente da Câmara. O pacote incluiria o direito à indicação de nomes para cargos de primeiro e segundo escalão por partidos do Centrão. Isso abrange a nomeação de ministros, secretários e também presidentes de estatais e diretores de agências reguladoras.

Lorenzoni já transita no setor elétrico e foi o articulador de uma reunião de executivos da área com o candidato Jair Bolsonaro na noite da última terça-feira, no Rio.

O diretor-geral do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), Adriano Pires; o presidente da Abegás (Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Canalizado), Augusto Salomon; e o diretor-geral da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), André Pepitone, estavam dentre os presentes ao encontro.

Na reunião, ao ser questionado sobre quem seria o interlocutor do setor elétrico na equipe de transição do possível novo governo, Jair Bolsonaro teria dito: "falem com o Ônyx".

Aleluia: tenho muitos amigos

Aleluia é próximo de Lorenzoni. O deputado baiano é um dos grandes protagonistas do setor elétrico no Congresso Nacional há décadas, e atualmente é o relator do projeto de privatização da holding Eletrobras. O projeto está parado na Câmara. Ele também já foi diretor da Coelba e presidente da Chesf. Mas o deputado não conseguiu se reeleger e estará sem mandato a partir de 2019.

Ontem, Aleluia disse à Agência iNFRA que "não está sabendo", sobre a possibilidade de indicação do seu nome para comandar Minas e Energia. Mas admitiu que tem o perfil para o cargo, pois tem o traquejo político necessário e também o entendimento técnico da área.

Questionado sobre se aceitaria o convite, o deputado disse que não comentaria "hipóteses". Mas concluiu: "O DEM está negociando com um possível governo de Bolsonaro e o Ônyx é meu amigo. Tenho muitos amigos", disse.

Segundo Aleluia, seu objetivo no momento "é evitar que o PT volte ao poder", antes de se preocupar com cargos em um eventual futuro governo.

Governo Temer

O ex-ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, que também é do DEM e poderia ser um dos candidatos para ocupar novamente a pasta, tem menos apelo político que Aleluia, segundo as fontes, por já ter participado do governo de Michel Temer.

No caso da equipe econômica, cujos secretários do Ministério da Fazenda do atual governo estão sendo sondados por Paulo Guedes para permanecer no próximo governo, há uma diferença crucial: são técnicos e estão no segundo escalão.

Moreira levou
José Carlos Aleluia já foi cotado para ministro de Minas e Energia recentemente. Rodrigo Maia, seu amigo particular, articulou junto ao Palácio do Planalto a sua indicação à sucessão de Fernando Coelho, que deixou o cargo no início de abril para concorrer à reeleição.

Na época, Coelho queria que o então secretário-executivo de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, assumisse em seu lugar. Imbróglios partidários e problemas de filiação em Pernambuco levaram o então ministro a trocar o MDB pelo DEM, provocando a ida de Moreira Franco para o Ministério de Minas e Energia aos 45 minutos do segundo tempo.

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