"Brasil está sob uma tirania com aparência de democracia”, diz Serrano

Em entrevista à TV 247, o jurista Pedro Serrano falou sobre o cenário da democracia brasileira e afirmou que o país não vive sob um regime de normalidade democrática. Para ele, o Brasil está sob uma “tirania com aparência de democracia”. Assista

247 - O jurista Pedro Serrano conversou com a TV 247 sobre o cenário da democracia brasileira e afirmou que o país não vive sob um regime de normalidade democrática. Ele afirmou que o Brasil está sob uma “tirania com aparência de democracia”. 

“Não estamos em uma situação de normalidade democrática. Temos um ex-presidente da República, agora mais do que comprovado, preso por um processo que foi uma medida de exceção, temos ameaças de que lideranças políticas progressistas sejam presas sob argumentação de algum crime comum, que é o que tem sido feito. Ou seja, temos mecanismos próprios de um autoritarismo líquido, medidas de exceção são mecanismos totalitários, próprios da tirania com aparência de democracia”.

Vaza Jato

sobre a atuação da Polícia Federal na investigação dos diálogos da Vaza Jato. Para ele, a Polícia Federal age de forma a priorizar o possível hackeamento dos celulares de autoridades e não se compromete com a averiguação do conteúdos das mensagens. Serrano ainda comentou sobre a democracia brasileira.

Para o jurista, em uma situação de pleno funcionamento da Polícia Federal, a instituição estaria investigando os diálogos da Vaza Jato buscando comprovar as evidências divulgadas pelo The Intercept.  “As instituições brasileiras não estão fazendo seu papel. Mesmo sendo obtidas de forma ilegal essas informações, o conteúdo delas seria investigado para verificar se, por outros meios de prova, esse conteúdo não poderia ser provado. O que está fazendo a Polícia? Só investigam o meio de obtenção, se houve hacker ou não houve, e não investigam o conteúdo, não verifica se foi verdadeira ou não”.  

Serrano ainda lembrou que o procurador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, se negou a entregar seu aparelho celular para a perícia da Polícia Federal. Ele ainda afirmou que a PF serve aos interesses do atual governo.  

“O procurador lá se negou a entregar o celular e ninguém tomou nenhuma medida judicial para obrigá-lo a isso. Tem gente que foi presa e teve busca e apreensão em casa por se negar a entregar documentos. Teve gente da esquerda que foi presa por muito menos, outros comportamentos que foram tidos como supostamente prejudiciais à investigação suprimindo documentos e mecanismos de provas. Foram presos preventivamente sob esse tipo de argumentação. Ou seja, quem está falhando é uma Polícia Federal que sempre foi muito intensa contra governos anteriores, democráticos e contra esse governo age cada vez mais como carneiro, servindo aos interesses”.  

Autonomia da PF  

Sobre a autonomia da PF, Pedro Serrano avaliou que a instituição não tem maturidade para ser autônoma e que se aliou à política do atual governo. “Sempre defendi a autonomia da Polícia Federal e digo publicamente: me arrependo porque vejo que ela não tem ainda maturidade para isso, constatei isso agora e digo publicamente. Ao surgir um governo de extrema-direita ela aderiu politicamente, de uma forma que me surpreendeu, ela não está cumprindo o papel constitucional dela de forma adequada. isso exige que um futuro governo democrático revise essa carreira porque, já que é para ter este tipo de comportamento político, ela não deve ter autonomia”.  

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