Campos confirma força ao eleger Ana para TCU

Governador de Pernambuco fez campanha jamais vista em favor da me, a deputada Ana Arraes, que bateu Aldo Rebelo e, com 222 votos, setornou a primeira mulher eleitapara o Tribunal de Contas da Unio

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Evam Sena_247, em Brasília – A Câmara elegeu hoje o novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), para vaga aberta com a aposentadoria do ministro Ubiratan Aguiar. A deputada Ana Arraes (PSB-PE) foi eleita com 222 votos, batendo seu principal concorrente, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que ficou com apenas 149 dos votos. Além da disputa pela vaga vitalícia, a eleição movimentou o cenário político brasileiro devido ao fortalecimento de uma figura que assumiu o protagonismo das articulações: o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB e filho de Ana Arraes. 

Campos fez, em favor de sua mãe, uma campanha ostensiva jamais vista para uma vaga no TCU. Ele percorreu o Brasil e articulou-se com amigos dos mais diferentes espectros políticos. Do lado governista, conquistou o apoio do ex-presidente Lula; do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e do governador do Rio, Sérgio Cabral. Do lado opositor, encontrou-se com o senador Aécio Neves (PSDB-MG); o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB); o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e, junto com o presidente nacional tucano, deputado federal Sérgio Guerra (PE), angariou os votos de boa parte da bancada do PSDB. 

O governador de Pernambuco, em franca articulação com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab para a formação de um bloco na Câmara, conseguiu ainda afastar aspirantes do futuro PSD que gostariam de disputar a vaga e garantir o apoio dos deputados que migrarão para o novo partido. 

A corrida pela vaga no TCU ganhou importância, pois serviu de teste de forças para duas eleições: a de presidência da Câmara, em 2013, e a de presidente da República, em 2014. O líder do PMDB declarou seu apoio a Ana Arraes, com vistas à sua candidatura à Presidência da Câmara. Mas parte do PMDB é resistente em votar na socialista, com receio de dar mais poderes a Campos e a cacifar a autorização do bloco PSB-PSD, que tomará dos peemedebistas o posto de segunda maior bancada. 

Liderança política consagrada no Nordeste, Eduardo Campos quer se cacifar como um nome nacional e conquistar um espaço numa chapa presidencial como vice em 2014, seja do lado petista, seja do lado tucano. Com o mesmo objetivo e em sentidos opostos, Lula e Aécio declararam apoio a Ana Arraes, na expectativa de ter o seu filho próximo nas próximas eleições presidenciais. O PSB tem quatro governadores no Nordeste: Pernambuco, Ceará, Paraíba e Piauí, e um no Amapá. 

O PSB foi aliado de Lula durante seus dois governos e hoje ocupa dois ministérios sob a gestão da presidente Dilma Rousseff. No entanto, Campos tem uma boa relação com o tucanato, principalmente com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Os socialistas fazem parte da base de Anastasia, em Minas, e do governador Beto Richa, no Paraná. O PSB tem dois prefeitos em capitais, Belo Horizonte e Curitiba, com o apoio dos tucanos. Esse trânsito nos dois partidos rivais irrita alguns petistas, que não votarão em Ana Arraes hoje.

Campos jogou todas as cartas para a eleição de sua mãe, numa espécie de demonstração de sua força política. Com a eleição de Ana Arraes, o maior vitorioso foi seu filho, que aproveitou o vácuo de lideranças na Câmara dos Deputados e surgiu como um novo interlocutor e fortaleceu-se para 2014.

A escolha da Câmara deverá passar ainda pelo Senado.

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