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Cardozo: se houve delação, não tem credibilidade

Ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, recém-empossado na Advocacia-Geral da União (AGU), disse que a suposta delação premiada feita pelo ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), seria uma espécie de retaliação contra o governo e que o parlamentar "não tem credibilidade"; "O senador Delcídio, com quem sempre tive excelentes relações, não tem primado por dizer a verdade. Ele não disse a verdade naquela fita, que todos conheceram", disse Cardozo

Ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, recém-empossado na Advocacia-Geral da União (AGU), disse que a suposta delação premiada feita pelo ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), seria uma espécie de retaliação contra o governo e que o parlamentar "não tem credibilidade"; "O senador Delcídio, com quem sempre tive excelentes relações, não tem primado por dizer a verdade. Ele não disse a verdade naquela fita, que todos conheceram", disse Cardozo (Foto: Felipe L. Goncalves)

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247 - O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, empossado nesta quinta-feira (3) na Advocacia-Geral da União (AGU), disse que a suposta delação premiada feita pelo ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), seria uma espécie de retaliação e que o parlamentar "não tem credibilidade", uma vez que não "não tem primado por dizer a verdade".

Segundo a revista IstoÉ, em edição adiantada para esta quinta-feira 3, Delcídio teria afirmado em um acordo de delação premiada que a presidente Dilma teria pedido que ele conversasse com o desembargador do Superior Tribunal de Justiça para pedir que Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo, que foram presos pela Operação Lava Jato, fossem libertados.

"Vou ler primeiro, mas vamos ser francos. Primeiro, não sei se há uma delação premiada. Se houver, o senador Delcídio, com quem sempre tive excelentes relações, não tem primado por dizer a verdade. Ele não disse a verdade naquela fita, que todos conheceram", comentou Cardozo.

O ministro também disse não saber com certeza se existe mesmo um acordo de delação premiada firmado pelo parlamentar. "Eu não sei dizer se há delação premiada, mas se efetivamente houve, há forte possibilidade de ser retaliação, até porque isso foi anunciado previamente. Se o governo não fizesse nada, ele retaliaria. Independe de tudo o que foi dito, o senador Delcídio lamentavelmente não tem credibilidade pra fazer nenhuma afirmação", disparou.

Segundo a revista, Delcídio teria dito ainda em seu depoimento à Justiça que "é indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação". Também segundo ele, Dilma teria tentado interferir nos rumos da Lava Jato em pelo menos três ocasiões distintas.

Delcídio também teria afirmado que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido mandante dos pagamentos à família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, além de ter pleno conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.

A seguir, reportagem da Agência Brasil sobre a declaração de Cardozo:

Cardozo diz que Delcídio não tem credibilidade para fazer acusações

Pedro Peduzzi e Andréa Verdélio - O recém-empossado ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, disse hoje (3), momentos após assumir o novo cargo, que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) "não tem nenhuma credibilidade" para fazer qualquer acusação, caso sejam confirmadas informações de que ele teria feito acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

Segundo a revista Isto É, o senador teria firmado um acordo de delação premiada com a equipe que investiga a Operação Lava Jato e nos depoimentos Delcídio do Amaral teria dito que a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras.

"Vamos ser francos. Em primeiro lugar, não sei se há realmente uma delação premiada. Se houver, o senador Delcídio, com quem sempre tive excelentes relações, não tem primado por dizer a verdade", disse Cardozo, após a cerimônia de posse ocorrida no Palácio do Planalto. Cardozo deixou o comando do Ministério da Justiça e assumiu a AGU. "Sinceramente, independentemente do que foi dito, o senador Delcídio, depois de todos os episódios, não tem nenhuma credibilidade para fazer nenhuma afirmação", acrescentou.

"Ainda vou ler a matéria para entender o que ele está falando. Se é verdade que ele fez a delação premiada, a possibilidade de, mais uma vez, ele ter faltado com a verdade é grande. Faltou no episódio da fita, depois desdisse. Disse que tinha falado com o ministro do STF, depois disse que não falou. Depois disse para todo mundo que não tinha feito delação premiada, e que isso era um absurdo. É triste. Mas vamos ver o que realmente acontece".

Cardozo confirmou que alguns integrantes da base governista têm recebido recados vindos de Delcídio, nos quais ele ameaça fazer retaliações, caso não atuassem no sentido de retirá-lo da prisão.

"Sim, recebemos muitos recados. Inclusive muitos foram publicados na imprensa, em que se falava que se o governo não agisse para tirá-lo da prisão ele faria retaliações. Se efetivamente houve isso, há forte possibilidade de se tratar de retaliação, até porque isso foi anunciado previamente", disse Cardozo.

Delcídio do Amaral foi preso pela Operação Lava Jato após apresentação de uma gravação em que ele oferece R$ 50 mil por mês e um plano de fuga ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que este não firmasse acordo de delação premiada com o Ministério Público. O senador ficou preso por mais de 80 dias. No dia 19 de fevereiro o senador passou, por determinação judicial, a cumprir o recolhimento domiciliar noturno e nos dias de folga.

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