Cármen Lúcia diz que será difícil superar a pandemia com esse "desgoverno"

Ministra do STF criticou o descaso do governo Bolsonaro com a pandemia. "Eu digo que é quase uma barbárie social. Não uma barbárie bruta da força, mas outro tipo de violência. E é uma violência que ficou escancarada com esta pandemia"

www.brasil247.com - Cármen Lúcia e Jair Bolsonaro
Cármen Lúcia e Jair Bolsonaro (Foto: STF | Reuters)


247 - A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, fez nesta quarta-feira, 24, críticas ao governo de Jair Bolsonaro pelo descaso com que tem tratado a catástrofe sanitária do coronavírus, que já matou mais de 52 mil pessoas no país.  

"Um Brasil como o nosso, que não tem nem saneamento básico para todo mundo. As redes de esgoto contaminadas, submetendo as pessoas às condições mais precárias. Eu digo que é quase uma barbárie social. Não uma barbárie bruta da força, mas outro tipo de violência. E é uma violência que ficou escancarada com esta pandemia", disse a ministra durante transmissão ao vivo do projeto "Conversas na Crise - Depois do Futuro", organizado pelo Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp em parceria com o UOL.

"O que o Supremo disse é que a responsabilidade é dos três níveis [federativos] — e não é hierarquia, porque na federação não há hierarquia —- para estabelecer condições necessárias, de acordo com o que cientistas e médicos estão dizendo que é necessário, junto com governadores, junto com prefeitos. Acho muito difícil superar [a pandemia] com esse descompasso, com esse desgoverno", afirmou Lúcia.

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A ministra referia-se à decisão em que o STF estabeleceu que e estados e municípios tinham autonomia para definir as medidas de combate à epidemia, como políticas de distanciamento social. 

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Para Cármen Lúcia, Bolsonaro não pode desconsiderar as demais representações da população. "A política se faz com todo mundo, todos os cidadãos e para todos os cidadãos. Não segundo a visão de um ou outro governante. Porque isso vai resultar em mortes, e haverá responsabilidade por isso", afirmou.

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